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PS, BE e CDS juntos por IMI a 0,35 por cento

Assembleia Municipal chumbou proposta socialista e aprovou por larga maioria a deliberação da Câmara de reduzir Imposto Municipal sobre Imóveis para 0,40 por cento em 2017

Como seria de esperar, a Assembleia Municipal da Guarda aprovou por larga maioria (51 votos a favor, 6 contra e 8 abstenções) a proposta da Câmara de baixar o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para 0,40 por cento. Contudo, na passada quinta-feira, assistiu-se a um momento inédito neste mandato quando os deputados centristas também votaram favoravelmente uma proposta do PS que defendia uma taxa de 0,35 por cento.

Filipe Reis, um dos cinco eleitos do CDS na coligação com o PSD, justificou o voto da bancada ao dizer que «os guardenses já merecem uma taxa de IMI mais reduzida», uma medida que permitirá também ao concelho ser «mais competitivo» em relação aos vizinhos. A proposta dos socialistas foi chumbada, tendo obtido 17 votos a favor, 43 contra e sete abstenções, mas fez mossa. António Monteirinho sustentou que o IMI poderia baixar para 0,35 por cento – mais 0,05 por cento que a taxa aprovada pelo executivo –, porque estão «reunidas as condições necessárias para desonerar os guardenses, fomentando a economia local através do aumento da despesa privada, resultante da diminuição dos impostos autárquicos». Isto porque, citando o último relatório de acompanhamento do Plano de Ajustamento Financeiro no âmbito do PAEL e do Plano de Saneamento Financeiro postos em prática na Câmara, o socialista sublinhou que «a evolução da receita municipal tem vindo a apresentar uma subida constante e progressiva ao longo deste mandato autárquico».

Nesse sentido, António Monteirinho considerou que 0,35 por cento de IMI é «o valor adequado e que pode ser pago» pelos munícipes: «O executivo quer arrecadar essa receita, o PS quer que os guardenses possam ter esse dinheiro para gastar na economia local», repetiu. Na resposta, Álvaro Amaro admitiu que poderia ser possível baixar mais, mas «eu estaria a ser politicamente irresponsável por estarmos em ano eleitoral». O presidente da Câmara avisou também que se a AM aprovasse a proposta do PS a autarquia deixaria de ter condições para apoiar as coletividades, as Juntas de Freguesia e as corporações de bombeiros porque «connosco as dívidas são para pagar, ao contrário de outros». Após a votação, António Monteirinho sublinhou ter ficado «demonstrado que o PSD está contra os guardenses», enquanto o social-democrata Tiago Gonçalves classificou o resultado como «a vitória da prudência, da responsabilidade e da boa gestão».

A última sessão da AM ficou também marcada pelo regresso de António Saraiva – presenciado entre o público por Eduardo Brito, ex-candidato à liderança distrital do PS. O presidente da Federação do PS da Guarda tomou a palavra para falar das rotundas e estátuas e interrogou o executivo sobre a candidatura à CCDRC no âmbito de uma nova Área de Requalificação Urbana (ARU). «Se não for aprovada gasta-se meio milhão de euros», avisou o deputado, lamentando ainda que estas e outras requalificações urbanas levadas a cabo pela Câmara não tenham sido alvo de «uma gestão participativa, nomeadamente no Gabinete Cidade». António Saraiva abordou também a polémica do corte de árvores no parque municipal e pediu ao presidente que repense aquela intervenção. «Ou ficará na história como quem veio delapidar a cidade porque ninguém consegue explicar o porquê de deitar abaixo àquelas árvores», criticou, retomando o argumento de o autarca «não é da Guarda» e «não sente a cidade». O socialista recomendou ainda que o município aposte mais na divulgação do passado judaico da cidade junto do mercado israelita e sugeriu que a autarquia atribuísse a medalha da cidade ao bombeiro de Famalicão da Serra e aos cinco sapadores chilenos que faleceram no incêndio ocorrido naquela freguesia em julho de 2006.

PS «mereceu castada política» de 2013

Fez exatamente três anos na passada quinta-feira que Álvaro Amaro foi eleito presidente da Câmara da Guarda. E o próprio fez questão de o recordar nesta Assembleia Municipal: «Alterou-se o modus de fazer e de decidir, o povo dirá em 2017 se mudou para melhor ou para pior», afirmou o edil, prometendo que «o que aí vem até ao final do mandato vai alterar muito mais a beleza da cidade, a sua modernização e o investimento». Dirigindo-se para a bancada socialista, o presidente acrescentou que «os senhores mereceram há três anos a castada política que levaram porque deixaram a Guarda no fundo, em falência». E na resposta a António Saraiva na questão do turismo judaico, o presidente revelou que a Câmara está em negociações para comprar o edifício da antiga sinagoga da cidade, situado na Rua da Trindade, e admitiu que se não houver acordo com os proprietários avançará para a expropriação.

Álvaro Amaro também não deixou de aproveitar a presença de Eduardo Brito na assistência para ironizar dizendo que neste momento há no PS «um, dois e três grupos, pelo menos».

Luis Martins Álvaro Amaro admitiu que poderia ser possível baixar mais, mas « estaria a ser politicamente irresponsável»

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