A comunicação social de todo o Distrito, todos os dias ou semanalmente, é uma espécie de ata viva, autêntica e atualizada, da nossa realidade. Só é preciso estar atento, ouvir, ler, interpretar!
Lá encontraremos a crítica à insuficiência de certas respostas públicas, a crise na economia e o desemprego, as prioridades das autarquias locais, o descontentamento das populações, o dinamismo das coletividades e instituições sócioculturais, as ambições e carências do mundo rural, o envelhecimento da população e o despovoamento…
Ainda há dias, em Vilar Formoso, numa iniciativa da Associação de Desenvolvimento Regional Territórios do Côa interrogava-se “Portugal conhece o Interior?”, tendo como moderadora a jornalista Felícia Cabrita e estando presentes autarcas e deputados, empresários, dirigentes associativos e de serviços públicos. Nas conclusões, segundo informação que recolhi, houve poucas novidades.
A política e os políticos estão na linha da frente dos “culpados” pelo país profundo ainda ser tão desconhecido dos portugueses. Há muito que defendo que o mercado e o neoliberalismo puro e duro não têm respostas, nem soluções, para os territórios de baixa densidade e o tempo tem-me dado razão.
E em regiões com fortes índices de envelhecimento e cada vez mais despovoadas, onde escasseia uma dinâmica empresarial que fomente o investimento e a criação de novas empresas, são ainda mais necessárias decisões políticas que criem dinâmicas públicas de investimento, capazes de gerar emprego com base numa rede de serviços públicos ou municipais.
O encerramento dos serviços do Estado, tantas vezes maquilhados de pseudo reformas, feito de forma cega e irracional por razões meramente economicistas, tendo por base estatísticas que apenas conjugam rentabilidade com demografia, torna irreversível a decadência de muitos concelhos do nosso Distrito.
Quando ouvimos reivindicar meios mecânicos de acesso à Torre, a urgência da construção dos IC’s da Serra da Estrela ou afirmar que há um milhão disponível para requalificar as muralhas de Almeida, que o Centro Educativo do Mondego pode ser transformado em cadeia de baixa segurança e assim manter ou mesmo alargar o seu quadro de pessoal, que os hospitais da região têm mais vagas para internos, ou que a empresa proprietária do Hotel Turismo de Trancoso avança com processo especial de revitalização, porque «a crise económica e debilidades do interior acentuaram dificuldades da empresa», só estamos a sublinhar a importância do Estado assumir um papel regulador no combate às assimetrias regionais.
Aliás, como muito bem defende o Comissário Europeu para o Emprego e Investimento ao afirmar que os fundos europeus estruturais e de investimento são essenciais para libertar o potencial de crescimento das regiões ultraperiféricas.
Goste-se ou não da atual solução governativa – uma “geringonça” feita de pragmatismo – começam a notar-se pontos de viragem nas políticas locais e regionais.
Uma política orçamental que reforce a descentralização; o acelerar da execução dos programas comunitários no quadro do PDR 2020 e injeção de fundos na economia ao nível empresarial, das CIM e dos municípios; A Unidade de Missão para a Valorização do Interior; a reabertura dos Tribunais encerrados pelo anterior Governo; a defesa do SNS e da Escola Pública – tão bem que correu a abertura do ano escolar que nem demos por isso… – são já sinais objetivos dessa mudança.
Mesmo que certos poderes fácticos, marginais às linhas de orientação política do Governo, continuem a tentar levar a cabo medidas divisionistas que acentuam ainda mais as assimetrias intrarregionais, como foi o caso da iniciativa recente da CCDRC em promover a constituição de uma Aliança Regional para a Saúde, envolvendo entre outros o Centro Hospitalar da Cova da Beira e a UBI. Sem surpresa nossa, não foram incluídos a ULS da Guarda e o IPG…
P.S. – Não! A nível parlamentar não iremos deixar arrefecer o tema da prevenção dos fogos florestais. É a melhor homenagem que podemos prestar aos nossos Bombeiros e a todos os que integram os serviços da Proteção Civil.
Por: Santinho Pacheco
* Deputado do PS na Assembleia da República eleito pelo círculo da Guarda


