“A Paixão do Operário”, um filme gravado e inspirado na Covilhã, tem hoje estreia marcada no Teatro Municipal. Realizado pelo covilhanense João Inácio, a película foi inspirada na obra com o mesmo nome de Ivo Rocha.
João Inácio cruzou-se com os textos de Ivo Rocha por acaso mas «logo me chamaram a atenção», confessa o jovem realizador de 25 anos, e, «motivado pela vontade de querer fazer um filme», depressa deitou mãos à obra. Foi em outubro do ano passado que as ideias começaram a surgir e ao fim de seis meses já se encontrava a produzir, tendo rodado o filme em apenas cinco dias. O cineasta contou com alguma ajuda de amigos, mas quase todo o trabalho de pré e pós-produção e banda sonora ficou a seu cargo. João Inácio descreve o filme protagonizado por Pedro Rodil e Raquel Jacob como «uma história passada na época ligada aos lanifícios que a Covilhã teve tão patente». Este é o ponto de partida e o enredo desenvolve-se «à volta do romance de Manuel e das diferenças entre as classes sociais que existiam na altura na cidade e eram muito visíveis», mas que, no final, se prova que nada é impossível, adianta o realizador.
Licenciado em cinema e mestre em Design Multimédia pela Universidade da Beira Interior, este é o primeiro filme de João Inácio com projeção e confessa-se ansioso, mas ao mesmo tempo «confiante, pois o filme demonstra já uma grande maturidade em todos os recursos que conseguimos». Nesse sentido, não tem dúvidas que «o produto final pode desenvolver outros projetos maiores no mundo do cinema». Escolher a Covilhã para o centro da sua película não foi difícil, pois tanto João Inácio como Ivo Rocha são «filhos desta terra, pelo que às vezes nem notamos, mas temos tudo ao nosso redor para lhe dar mais e foi o que aconteceu». O filme foi rodado numa antiga fábrica de lanifícios, onde hoje está o New Hand Lab e onde João Inácio tem o seu próprio estúdio de cinema, a M4M Productions.
O filme vai estar em exibição hoje e amanhã e para já os covilhanenses têm «demonstrado interesse em ver». Para João Inácio, o facto de contar «um bocadinho da história de cada um» é um fator apelativo. Com um orçamento de oito mil euros, os apoios financeiros não existiram, apesar das tentativas de contacto com diversas empresas. Ainda assim houve algumas entidades da Covilhã que deram o seu apoio na logística, alimentação e estadia. Ainda a dar os primeiros passos no mundo do cinema, o jovem covilhanense já pensa em voos mais altos, mas sempre com os pés na terra. «Os meus maiores objetivos são ter sucesso no mundo do cinema e da música», afirma, e para isso espera fazer mais filmes. Sem levantar o véu, João Inácio adianta que o próximo será «uma longa-metragem». Já no mundo da música vai lançar «muito em breve» o primeiro single de um álbum e o respetivo vídeoclip.
Ana Eugénia Inácio


