O que nos conduz à perda da razão por alteração da funcionalidade do pensamento, da memória, da construção da moral e da educação (regras fundamentais para o convívio social) defino como a demência A demência na forma da senilidade sem referências, nas ausências intelectuais por doença, conduzem a um condição arrepiante do corpo, sem pudor, sem discurso, sem vergonhas, sem frenações, sem medos e sem higiene. O corpo mantemo-lo nós por ele e ele arrasta-se na vida, sem saber que aqui se encontra. Este é o território de um mal do início do século.
Não falamos deste limite por pudor e por medo de um dia ser o nosso. Temos medo da distanásia e da eutanásia. Preferimos a amarra física ou química e optamos pela distância e a escuridão dos lugares de coletivizar o fim.
Pior que a demência existe a estupidez humana que pode ser infinita. A estupidez é ver usar um lugar de deficientes por quem o não é. A estupidez é impedir a saída de uma garagem de alguém. Mas a estupidez é filha do desrespeito e por isso é infinita. O imoral não respeita ninguém. Pisa, mata, atropela, escraviza, rouba, engana, apaga, apouca. O problema é que esta imoralidade é um problema físico que as ressonâncias magnéticas funcionais em traumatizados frontais, ou em AVC’s vão demonstrando e localizando. Ou seja, podemos vir a descobrir que há uma razão física para a imoralidade, como de forma intuitiva arrancamos aos livros de Damásio quando descreve o Sr Pimberton, ou Oliver Sacks a descrever “o homem que confundiu a mulher com um chapéu”. Estaremos preparados para esta dimensão não social da realidade? Estamos preparados para aceitar que somos mais como “a máquina que avaria” do que como uma doença na “imagem de Deus”?
No dia desta descoberta vamos perceber porque singra aquele género na política, porque assassinam pessoas aqueles que têm o gene tal. Depois, conhecida a dimensão da avaria, temos de discutir de novo quem somos, os nossos limites, a razão de ser da nossa existência e o que fazemos aqui. Doutro modo, na ignorância encontraremos os discursos eloquentes da matança, da destruição das peças avariadas. A ignorância é a terceira das características piores de nós. A ignorância impede o estudo e a sabedoria, impede a dúvida e recoloca-nos no espaço da reação animal pela mais simples sobrevivência como a razão do ser e da existência.
A ignorância é filha direta do egoísmo mais feroz, da vivência do eu centro da realidade, do ego como limite infinito das relações. Sem definição de margem, as células trepam umas sobre as outras e formam a neoplasia.
Por: Diogo Cabrita


