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Tarde épica na praça do Soito

A tradição cumpriu-se no XXXIº festival “Ó Forcão Rapazes!” mas com sangue e grandes sustos na arena

Foi verdadeiramente épico o festival “Ó Forcão Rapazes!”, realizado sábado na praça do Soito (Sabugal). Na XXXIª edição do autodenominado “Campeonato do Mundo” da lide de touros com forcão a tradição voltou a cumprir-se mas este ano foi cobrada com sangue e grandes sustos na arena.

Numa praça a abarrotar – os mais atrasados já não conseguiram bilhetes –, nove aldeias da zona raiana do Sabugal rivalizaram pela melhor lide e desta vez tiveram pela frente touros como há muito não se via. Ciente do desafio que tinha pela frente e da sua quota parte de responsabilidade no espetáculo, José Manuel Duarte preparou um curro imponente de touros com uma média de peso de 640 quilos vindos das ganadarias Veiga Teixeira e Palha. E o resultado foi devastador para homens e forcão. A equipa da Lageosa da Raia foi a primeira a ser posta à prova e saiu de cena com uma exibição sem grandes sobressaltos, cumprindo os mínimos exigidos. Foi depois a vez de Aldeia do Bispo pegar ao forcão e o que aconteceu foi dantesco. À primeira investida o touro desfez a estrutura de madeira e levou tudo na frente. Foi o salve-se quem puder num alvoroço de pó, homens e animal. Quem não conseguiu safar-se acabou na enfermaria com traumatismos, contusões e arranhões. Um dos feridos teve de ser transportado para o hospital da Guarda, e posteriormente para Coimbra, com o maxilar partido.

Refeitos do susto e substituído o forcão, a equipa de Aldeia do Bispo regressou à arena com o orgulho ferido e algumas feridas por sarar, mas saiu da segunda tentativa com distinção e ovação. Quando Alfaiates entrou em cena ainda a assistência recuperava o fôlego de tantas emoções fortes, mas os seus representantes tiveram outra prova dura e aguentaram as fortes investidas do terceiro touro da tarde nas galhas, algumas das quais quebraram com estrondo. A lide dos alfaiatenses incluiu o já habitual salto mortal sobre o touro para gáudio da assistência. A “jogar” em casa, o Soito galvanizou-se mas também não evitou um susto de fazer estremecer as bancadas quando o touro quase passou por baixo da galha esquerda. Mas tudo não passou disso mesmo e os soitenses ainda brindaram o público com passes de capa e uma pega muito atribulada, mas concluída. Estávamos a meio do festival e os espetadores já davam por bem empregues o valor do bilhete.

A partir daí o festival foi perdendo intensidade. Mesmo assim, os Forcalhos e Aldeia da Ponte foram postos à prova com algumas investidas mais duras, enquanto Aldeia Velha fez frente a um touro cujas forças foram desaparecendo durante a lide dando poucas hipóteses para melhor exibição. O oitavo touro da tarde protagonizou boas investidas mas logo se alheou do forcão. A diferença é que a equipa dos Fóios foi buscar o animal “às tábuas” e desafiou-o várias vezes para o frente-a-frente conseguindo boas investidas. O esforço mereceu o aplauso do público, já saciado de emoções fortes. O Ozendo fechou uma tarde que ficou para a história e cumpriu com galhardia a sua sorte. Para o ano há mais, com a certeza de que será muito difícil ter outra tarde como a de 20 de agosto de 2016. A organização desta jornada memorável foi de duas associações da Lageosa da Raia e de Aldeia do Bispo.

Luis Martins Equipa de Aldeia do Bispo foi destroçada na primeira investida do touro

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