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Da Crise de Sucessão de 1580 à Guerra da Restauração

Após a morte do rei D. Sebastião (na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578), sem ter deixado descendência, Portugal foi confrontado com uma nova crise de sucessão. A regência do reino foi assegurada pelo cardeal D. Henrique. Após a sua morte (em 1580), o governo do reino de Portugal ficou, provisoriamente, nas mãos de uma Junta de cinco Governadores até ser escolhido o novo rei.

Os mais sérios candidatos ao trono de Portugal eram Filipe II, de Espanha (filho de Isabel de Portugal e neto de D. Manuel I), D. António, Prior do Crato (filho do infante D. Luís), e Catarina, de Bragança, a Duquesa de Bragança (filha de D. Duarte). Os membros da Junta de Governadores hesitaram em reconhecer Filipe II, de Espanha, como Rei de Portugal. Mas, o povo escolheu o Prior do Crato como sucessor de D. Sebastião. Para assegurar os seus direitos à sucessão, em Portugal, Filipe II recorreu à força das armas ordenando ao Duque de Alba que entrasse em Portugal pela fronteira do Caia e avançasse até Lisboa, onde esperaria pela chegada da armada espanhola, proveniente de Cádis, que fundearia em Cascais. O confronto entre as forças do Prior do Crato e as espanholas (em Alcântara, em agosto de 1580) terminou com a vitória dos espanhóis e obrigou o Prior do Crato a refugiar-se na Ilha Terceira, nos Açores. Um ano mais tarde, Filipe II foi reconhecido como rei de Portugal, nas Cortes de Tomar (em 1581), com o título de Filipe I, de Portugal, dando-se, assim, início à nova dinastia filipina, que durou 60 anos.

Em 1640 ocorreram, na Península Ibérica, duas conspirações independentistas (em Portugal e na Catalunha), com sortes distintas, mas que marcaram, indelevelmente, a História da Península Ibérica. Um ano mais tarde, fracassou uma conspiração na Andaluzia contra o poder central.

A revolta na Catalunha foi determinante para o sucesso da conspiração independentista em Portugal, pois obrigou os espanhóis a concentrarem a sua atenção e os seus efetivos naquela região da península, deixando o nosso território relativamente desguarnecido em termos militares.

Esperava-se que Espanha reagisse rapidamente à sublevação portuguesa. Mas, a Espanha estava envolvida em diversos conflitos militares pela Europa fora e não tinha capacidade de resposta para todas as suas frentes de batalha. Contudo, os 28 anos que se seguiram ficariam marcados por uma série de batalhas entre os reinos de Espanha e Portugal, quase todas na zona do Alto Alentejo, que ficaram conhecidas como a Guerra da Restauração. Apenas a Batalha de Castelo Rodrigo ocorreu na zona Centro do território português (na zona raiana da Beira Alta). Com a derrota das forças espanholas na Batalha de Montes Claros, nos arredores de Borba (em 1665), foi colocado um ponto final na Guerra da Restauração.

António Morgado, Figueira de Castelo Rodrigo

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