A Câmara da Guarda atribuiu a medalha de mérito municipal, grau ouro, ao seu primeiro presidente eleito no pós-25 de Abril. A par de Vítor Cabeço, que liderou a lista do PS nas autárquicas de 12 de dezembro de 1976, o município também homenageou, a título póstumo, António de Almeida Santos, que nesse ano foi eleito presidente da Assembleia Municipal.
As distinções foram entregues durante a sessão solene do 25 de Abril, dedicada aos 40 anos do poder local, com a qual o município quis recordar «todos aqueles que souberam construir este verdadeiro pilar da democracia», afirmou Álvaro Amaro. O presidente considerou mesmo que os primeiros eleitos para os órgãos autárquicos a nível nacional «são os verdadeiros capitães de Abril do poder democrático», pois foram «quem abriu o caminho, quem foi à frente e que lideraram». O edil acrescentou que, desde o 25 de Abril, é ao poder local que «se deve muito do combate às desigualdades económicas e sociais» no país. E considerou que, tal como está previsto para as Áreas Metropolitanas, chegou a hora das Comunidades Intermunicipais também terem mais poderes e os seus dirigentes poderem ser eleitos diretamente pelos seus concidadãos.
«Espero que ao atribuir-se mais competências a níveis supramunicipais não se cave um fosso ainda maior entre interior e litoral atribuindo-se poderes políticos democráticos às duas grandes Áreas Metropolitanas, excluindo as outras», declarou Álvaro Amaro, para quem «a maneira mais apropriada de ajudar o litoral português é fomentar a esperança no interior de Portugal». Por sua vez, Vítor Cabeço disse-se «honrado» com a distinção e recordou que o poder local percorreu «um longo caminho desde o 25 de Abril, zelando pelo bem-estar das populações ao suprir as suas necessidades em termos de infraestruturas básicas e acessibilidades». Mas, passados estes 40 anos, o primeiro presidente eleito da Câmara da Guarda deixou um reparo, o de que «os impostos e as taxas municipais são excessivos relativamente ao resto da Europa»
Já Maria Antónia de Almeida Santos, filha de Almeida Santos, considerou a homenagem um momento «de grande significado e emoção». «Não podiam ter escolhido melhor a data para homenagear o meu pai. Foi um dos obreiros da democracia e da liberdade», afirmou a deputada na Assembleia da República eleita pelo círculo da Guarda. Nesse dia o nome do histórico socialista foi dado a um troço da VICEG (Via de Cintura Externa da Guarda), entre a rotunda de S. Miguel e o parque industrial, enquanto uma outra rua da cidade, que dá acesso ao castro do Tintinolho e campo do Zambito, foi batizada com o nome da pintora Evelina Coelho. As comemorações do 25 de abril incluíram ainda a inauguração, entre outras obras, dos trabalhos de remediação ambiental da antiga fábrica de rádio do Barracão (Panóias), a primeira de sais de rádio da Europa, e das minas do Forte Velho (entre a cidade e Vale de Estrela) e do Prado Velho (Jarmelo), num investimento total de 3 milhões de euros. Nas Panóias há agora um espaço de lazer para a população cuja gestão e manutenção foi contratualizada pela Junta de Freguesia com a EDM e a autarquia. «Espaço é agradável e vamos torná-lo ainda mais», garantiu o presidente da Junta Jacinto Dias.
Luis Martins



