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A Universidade, os Politécnicos e a região

Não há desenvolvimento sem interdependência. Mesmo que os recursos à disposição dos decisores fossem imensos, o interesse público não dispensa um uso criterioso e racional de bens que, afinal, são de todos. E não há maior irracionalidade do que cada distrito replicar a oferta do distrito do lado, cada concelho replicar os serviços do seu vizinho, cada freguesia querer ser o mundo inteiro. É oferecerem todos o mesmo e o mesmo que oferecem não poder ser muito melhor do que o do lado: pouco e sofrível. E o que não oferecem tornar-se suportável desde que o do lado também não ofereça não é bom. A não ser que falemos de rotundas, nada disto é bom.

Desenvolvimento significa complementaridade. Estejamos a falar de serviços de saúde, de cultura, de educação. Só assim se pode ter mais próximo, dentro da região, o que, de outra maneira, exigiria descer à capital, ou subir ao Porto. Só assim se poder ter o futuro nas mãos.

Vem isto a propósito da oferta de ensino superior da Beira Interior. São dois politécnicos e uma universidade numa área populacional que não chega aos 400 mil habitantes e em perda. Três instituições que não raro replicam formações, não sendo sempre a mesma quem tem melhores condições para a proporcionar.

Tudo recomendaria duas grandes orientações estratégicas. Primeiro, assumir que a Universidade da Beira Interior (UBI) devia servir toda a região que é designada pelo seu nome, os distritos de Castelo Branco e da Guarda. Ainda para mais, a cidade da Covilhã, onde está sediada esta universidade, é um concelho charneira entre os dois distritos. Além de Castelo Branco e da Guarda, a UBI devia ainda ter impactos sobre os distritos de Viseu e de Portalegre, respetivamente, em complementaridade com as universidades de Aveiro e de Évora. Mas, esta orientação implicaria que a UBI estivesse disposta a desdobrar alguns dos seus departamentos universitários até às capitais de distrito da região, tornando mais efetiva a cobertura territorial a que se propõe quando se reivindica uma universidade da Beira Interior.

Em segundo lugar, os dois institutos politécnicos, de Castelo Branco e da Guarda, deviam concertar-se numa única oferta de ensino superior politécnico na região, oferta que também chegasse à Covilhã. Porque ensino universitário e politécnico não competem entre si. Devem perseguir finalidades distintas e complementares. Em síntese, com estas duas orientações tratar-se-ia de assumir a ambição de uma universidade e um instituto politécnico para toda a Beira Interior, entre si articulados para proporcionar uma oferta formativa completa e atrativa, sem redundâncias, competitiva e com massa crítica suficiente para vencer os desafios do desenvolvimento.

Por: André Barata

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