P – De forma sintética, qual é a missão do CLDS – 3G “Guarda Ger(a)ção”?
R – Numa perspetiva ampla, é conseguir congregar de forma eficiente as várias respostas sociais que muitas instituições/associações públicas e privadas já praticam no concelho com o intuito de as fazer chegar a quem mais delas carece. Pretende-se, entre outros objetivos, promover a inclusão social dos cidadãos através de ações que contribuam para o aumento da empregabilidade, para o combate a situações críticas de pobreza, particularmente da infantil, bem como a criação de circuitos de produção, divulgação e comercialização de produtos locais e ou regionais de modo a potenciar o território. Concretizar medidas que promovam a inclusão ativa das pessoas com deficiência e incapacidade, bem como a capacitação das instituições, é também um desígnio a atingir. Ou seja, de forma mais restrita, pretende-se promover o desenvolvimento de instrumentos capacitadores das instituições da economia social, fomentando a implementação de serviços partilhados que permitam uma maior racionalidade de recursos e a eficácia de gestão.
P – Há algum projeto diferenciador que se destaque do programa de ação?
R – É, por exemplo, a criação do armazém solidário (“Sol & Dar”), a implementação e dinamização do dia da família (“Bootcamp Familiar”) e a criação da “plataforma digital” para divulgar as ofertas de emprego e formação profissional, em articulação com os outros CLDS-3G do distrito, divulgando também as instituições/associações ligadas à Rede Social, as suas áreas de ação e respetivas valências, etc…
P – O concelho da Guarda já teve dois CLDS aprovados anteriormente. Tem uma ideia do que fizeram e do que ficou por fazer?
R – Tudo é passível de se melhorado. Em particular, desconheço os programas de ação anteriores, daí não poder manifestar-me em profundidade. Mas todos estamos crentes que muito e melhor é necessário fazer pelo concelho, em particular, e no distrito em geral. No entanto, este CLDS-3G reveste-se de características distintas na sua concepção, ao abrigo do “Portugal 2020”. Desde logo a candidatura foi elaborada em parceria por três IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), todas elas com mais de duas e três décadas de existência na Guarda, ADM, CFAD e NDS. Será, pois, de esperar um resultado mais abrangente, de preferência que perdure e não se esgote no programa em si. Este projeto foi aprovado com a necessidade de cumprir objetivos e indicadores mensuráveis, em particular no que ao eixo 1 de atuação (emprego formação e qualificação) diz respeito.
P – Em termos de apoios, qual é o orçamento do “Guarda Ger(a)ção” para estes três anos e como será repartido pelas diferentes áreas de atuação?
R – São os constantes na legislação relativa ao CLDS-3G (Contratos Locais de Desenvolvimento Social – 3ª Geração) e têm como limite anual 150 mil euros. A sua repartição será feita pelos 3 eixos de intervenção, através da implementação e execução das actividades de carácter obrigatório constantes do programa que o consórcio formalizou (ADM enquanto entidade coordenadora, CFAD e NDS como entidades executoras). Os eixos são: 1-Emprego, Formação e Qualificação; 2- Intervenção Familiar e Parental Preventiva da Pobreza Infantil e 3-Capacitação da Comunidade e das Instituições. Porque a equipa multidisciplinar contratada para o efeito é constituída por cinco elementos, sendo a mesma a principal fonte de realização das atividades, a percentagem relativa aos encargos com pessoal representa 72% da verba e os restantes 28% são distribuídos entre a aquisição de bens e serviços (12%) e encargos gerais (16%). Por sua vez, e na devida proporção dos custos, é repartida entre as três IPSS da parceria.
P – E quais as principais dificuldades de um projeto como este?
R – É o desafio de conseguir ultrapassar os constrangimentos por vezes colocados na fomentação do trabalho em rede e no estabelecimento de parcerias. É difícil reunir e congregar esforços nesse sentido. No entanto e para ultrapassar esses obstáculos, haverá que encetar esforços para desenvolver sinergias com as diversas entidades/associações públicas e privadas para alcançar o número máximo de beneficiários que recorram ou sejam encaminhados aos nossos serviços. Também com os recursos existentes, atuar na promoção da empregabilidade é um desafio. O encerramento de várias empresas no concelho, embora com a criação e crescimento de outras, veio criar dificuldades acrescidas às famílias e à questão social em geral. Pretende-se assim gerar ações para colmatar as lacunas que entretanto surgiram e que contribuam de forma sustentada no tempo para um concelho mais solidário, dinâmico e competitivo.
P – Qual é o vosso ponto de partida? Quantas pessoas/agregados familiares se enquadram na atuação do CLDS – 3G “Guarda Ger(a)ção”?
R – Considerando um público-alvo tão diversificado, nomeadamente pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social, pretende-se chegar, no mínimo, através das atividades a desenvolver e conforme as metas contratualizadas com o POISE (Programa Operacional Inclusão Social e Emprego), a 1.492 participantes nas ações do CLDS, dos quais 25% se encontrem abrangidos por MAE (Medidas Ativas de Emprego) e formação profissional. Para ir de encontro ao objetivo da empregabilidade já realizámos uma ação (entre cinco) de sensibilização, em parceria com o IEFP, o NERGA e a ACG, dirigida às empresas, artesãos e juntas de freguesia sobre o tema das diversas e atuais medidas ativas de emprego em vigor – “Mais Oportunidade”. Realizámos também a atividade de formação “Fazer a Ponte” onde se pretendeu dotar os técnicos de várias IPSS, com intervenção direta em famílias multidesafios, de competências que lhes permitam de uma forma eficiente aplicar esses saberes perante o público-alvo nas ações que desenvolvem na sua atividade profissional. Por último e no âmbito da execução da atividade “De Valor”, a equipa do CLDS-3G, conjuntamente com três CATL’S da cidade, promoveu junto das crianças uma ação de sensibilização para hábitos de vida saudáveis. Menciono também a satisfação, enquanto coordenador da equipa, o facto de se terem realizado três atividades do plano de ação em apenas mês e meio de trabalho. Foram ultrapassados os inerentes constrangimentos ao arranque de qualquer projeto graças ao interesse e empenho demonstrado por todos, resultando desta forma um balanço bastante positivo.


