A música cá do burgo está a dar cartas. Depois de ter desvendado o trunfo maior na passada semana (Mourah – From One Human Being To Another*****) restam mais três para que complete o meu leque de apostas, ora vejamos:
2º Trunfo:
X-Wife – Feeding the Machine ****
Os X-Wife são como tantos outros revisionistas, lêem da mesma cartilha pós-punk. Apesar do epicentro deste terramoto auditivo se encontrar em Nova Iorque, onde a todo o custo se tenta fazer a reinvenção rock por via do retrovisor (fins dos 70 e todos os 80), cada um contribui com a sua visão particular e os X-Wife dão uma “nova” achega. Aplicações sobre ganga, portanto. Este trio possui uma dada particularidade que não torna o seu acto num logro, orientam a sua filiação rock para um curioso lado maquinal. Aqui joga a especial sensibilidade de um dos elementos da pandilha, João Vieira, que traz para este “Feeding the Machine” todo o seu set do Club Kitten, onde controla os pratos. A mescla X-Wife (a foto não me deixa mentir) é fruto de um elevado consumo musical, da laboriosa tarefa de melómano pois isso é também já ser músico.
Aprecio particularmente a voz esganiçada, no limiar da audição aprazível, que cai que nem uma luva nas andanças semi-noir dos temas aqui contidos. Particularmente em New Old City, Outside e no muito Mary Chain, Action Plan. Temos energia q.b. que segundo parece, ao vivo se transforma numa borbulhante bola de fogo (como me alertou o meu amigo de página) e se é assim, o Taking Control com que encerra o álbum talvez camufle o espírito de Curtis!
3º Trunfo:
Gomo – Best of ***1/2
Apelidar o primeiro disco de “Best of” (27º lugar do Top nacional da passada semana) é sinal de que chega ate nós o melhor de um artista, que não sendo um novato nestas lides da música só agora conseguiu mostrar ao mundo o que andou a fazer passado um bom par de anos. Gomo é fruto de um continuado trabalho de insistência, muitas horas de palco e uma boa dose de humor. Confesso que das prestações que vi ao vivo deste artista não se me revelou, mas o resultado conseguido com este primeiro disco é muito animador. De Feeling Alive (com um originalíssimo videoclip) ate ao final You Might Ask, nem sempre a fasquia se mantém no nível de excelência, existe ruído de fundo com a tendência para o resvalar no escorregadio chão de Beck e dos Eels (Can’t Find You é descarado!). Contudo esperemos pelo que vem a seguir, e que este Gomo não seja apenas fruta da época, porque bem precisamos de vitamina todo o ano!
4º Trunfo:
Hipnótica – Reconciliation****
Ao terceiro andamento de uma aventura Hipnótica, as electrónicas rumaram ao Jazz e tudo isto muito por culpa de um dos homens fortes dos Sofa Surfers, Wolfgang Schlogl, que decidiu dar o seu cunho pessoal a este “Reconciliation”. È o caminho que busca novos horizontes, que se faz a outras paragens. Que quer rumar a uma distribuição mais abrangente (caso seja o disco bem trabalhado), por via de um renovado mosaico sonoro. Música cheia, que nos aconchega e nos acalma na tisana de som orgânico, onde o contrabaixo ganha pontos declarados às anteriores aventuras maquinais. Meus caros, um autêntico regalo!
Por: Bruno Reis
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