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«Para se ganhar um campeonato ou ficar nos lugares de subida de divisão será preciso muito mais do que a competência da equipa»

Cara a Cara – Paulo Alves

P – O que ditou o seu regresso ao GDR das Lameirinhas?

R – Este regresso não estava dentro dos meus planos imediatos. Estava a desenvolver um trabalho com as escolas de futebol do NDS e seria nesta componente de formação dos mais jovens que tinha planeado trabalhar nos tempos mais próximos. Não seria no clube referido, ao qual agradeço a oportunidade que me concederam, mas estava a idealizar um projeto pessoal dentro do mesmo âmbito de ação. No entanto, numa conjugação de vontades, proporcionaram-se as condições necessárias para que, desta vez, o meu regresso ao Lameirinhas fosse concretizado. Este regresso foi ponderado e amadurecido e entendi responder afirmativamente ao convite que me foi endereçado.

P – Qual é o objetivo do clube para esta época?

R – Um clube com o historial do GDRL não pode ter outro objetivo que não seja entrar para vencer em todos os jogos em que participe. Nesta linha de pensamento poderei afirmar que, no plano estritamente competitivo, lutaremos pela vitória em cada jogo, sendo que no final se farão as contas e veremos se o somatório está de acordo com as nossas ambições. Por outro lado, ainda não conheço os constituintes da série onde seremos incluídos, pelo que a definição precisa do objetivo prioritário só terá lugar após a análise da concorrência, mas queremos ser ambiciosos e pensar que seremos capazes e competentes face aos desafios que se nos vão apresentar. Tenho plena confiança nos atletas que decidiram permanecer na equipa e também naqueles que resolveram juntar-se-lhes.

P – O Lameirinhas andou sempre nos lugares da frente na época passada. Acha que este ano há condições para ganhar o campeonato e subir ao escalão principal do futsal nacional?

R – De facto andou nos lugares cimeiros mas ficou a 27 pontos do lugar que deu acesso à subida de divisão e a 26 do segundo lugar. É conveniente frisar que para se ganhar um campeonato ou ficar nos lugares de acesso à subida de divisão será preciso muito mais do que a competência da equipa. Existem outros fatores que, com a minha experiência de 14 anos de treinador de futsal, influenciam ou poderão influenciar o resultado final. Como gosto de ser claro, refiro-me concretamente ao apoio que o nosso sexto jogador nos der em cada jogo, refiro-me às condições de trabalho que nos são proporcionadas, nomeadamente no que ao local de treino diz respeito e, naturalmente, à isenção da terceira equipa. Neste último aspeto gostaria de salientar que dificilmente me ouvirão falar sobre arbitragem no decorrer da época. Nunca o fiz e não será agora que o farei. No entanto, tenho na minha memória bem recente que a seleção de sub-21 de futsal da AF Guarda, no jogo da decisão com a seleção da AF Porto, por decisões de quem dirige o jogo nas suas componentes regulamentares, foi impedida de estar presente na “final four”. Saliento esta questão porque há fatores que não dependem apenas da nossa competência e do nosso trabalho e, por isso, o que poderemos prometer é que tudo o que depender do nosso trabalho será cumprido até ao limite.

P – Como antevê a prova deste ano? Além do Lameirinhas, quem são, na sua opinião, os favoritos?

R – A prova deste ano é diferente dos anos anteriores. A sua organização resultou de uma reformulação dos quadros competitivos, em que as duas séries de 14 clubes foram substituídas por seis séries de 10 clubes. As descidas e as subidas de divisão apresentam um formato completamente diferente e, por isso, terão de ser alvo da mais aturada análise prévia. Como disse anteriormente, as séries ainda não estão definidas embora, após a minha análise dos potenciais integrantes da série onde o GDRL será incluído, anteveja que clubes como o ABC de Nelas, que fez um generoso investimento no seu plantel, o Viseu 2001, que ano após ano define como objetivo prioritário a subida à Iª Divisão, o C.S. São João, terceiro classificado na época transata, se apresentem como os mais sérios candidatos aos lugares cimeiros. Também, e como sempre acontece, aparecem sempre clubes que subiram da IIIª Divisão e que se constituem como equipas sensação.

P – O Fundão tem vindo a “dar cartas” na modalidade. É um exemplo a seguir? O que falta ao Lameirinhas para lhe seguir os passos?

R – Acerca do exemplo do Fundão muito haveria a dizer mas, como são realidades completamente diferentes, não podem ser comparáveis. Primeiro, a forma como as entidades competentes da região entendem a importância que essa equipa representa para essa mesma região é completamente diferente daquela com que nos deparamos. Depois será conveniente recordar que os investimentos feitos ao longo de muitas épocas nos respetivos plantéis não encontra comparação possível. No nosso caso, os plantéis foram sempre constituídos por atletas da cidade e das localidades próximas, enquanto na AD Fundão se verificavam contratações de atletas de outras regiões e de outros países. Ora isto só é possível com grande capacidade financeira. Por outro lado, o Fundão tem escalões de formação, enquanto o Lameirinhas apenas numa época conseguiu concretizar esse objetivo e num campeonato com apenas quatro equipas. A formação de atletas era feita, na minha primeira passagem pelo clube, no plantel sénior. Poderíamos falar também de outros aspetos mais técnicos, mas estes já são ilustrativos das diferenças existentes entre estas duas equipas. No entanto, não ficaria bem com a minha consciência se não desse relevo ao trabalho feito no nosso clube que, ao longo destes anos, apesar das dificuldades sempre presentes, foi capaz de levar tão dignamente o nome do distrito da Guarda por todo o país.

P – Quais são os pontos fortes da equipa? E os fracos?

R – O ponto forte será a vontade de atingir o máximo das nossas capacidades em prol do clube que representamos. Penso que, para além das capacidades técnicas dos atletas que me parecem inegáveis, os fatores volitivos determinam a superação dos nossos limites e será essa a exigência para a época difícil que nos espera. Relativamente aos pontos fracos, se existissem não iria referi-los neste espaço. Quando assumo uma equipa, ela é, para mim, a melhor do mundo e a que vai trabalhar comigo nesta época desportiva não foge a essa regra.

P – Este ano, o S. Romão também compete no Nacional da IIª Divisão. Isso quer dizer que o futsal distrital está a evoluir no bom sentido e pode ter algum protagonismo na modalidade a nível nacional?

R – Não me parece que esse dado seja significado de evolução. O S. Romão, a quem aproveito para desejar as maiores felicidades, está com todo o mérito na IIª Divisão, mas como resultado da não aceitação de participação por parte de dois clubes classificados à sua frente. Refiro este facto não com o intuito de menorizar o mérito da equipa que subiu, mas apenas como ponto de reflexão. Por outro lado, considero que o S. Romão possui capacidade estrutural para dar uma resposta positiva ao desafio que se lhe apresenta.

Gostaria também de referir que o distrito da Guarda é o único em Portugal continental que ainda não possui competição nos escalões de formação e enquanto este objetivo não for cumprido não poderei dizer que o futsal no distrito está a evoluir. Foram dados alguns passos importantes, nomeadamente na participação de três seleções distritais de futsal da AF Guarda nos Torneios Inter-Associações, sub-21 feminino, sub-18 masculino e sub-16 masculino, tendo obtido resultados bastante satisfatórios e, num caso concreto, muito acima do expectável. Porém falta muito caminho para percorrer…

Paulo Alves

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