Passado mais de meio ano sobre a mudança da Câmara da Guarda para as mãos do PSD, importa fazer um ponto da situação. Há coisas boas, más e indiferentes – e já lá vamos. As opiniões sobre a mudança são muitas e há muito onde se instalar a polémica, mas há um ponto onde se verifica uma quase unanimidade: não há saudades de Joaquim Valente, mesmo entre os socialistas. Por muitas qualidades que ele tenha, e tem-nas, nenhuma delas pareceu adequada a gerir bem uma câmara e, muito menos, uma com os problemas da nossa.
O estilo imposto por Álvaro Amaro, associado ao desaparecimento de cena de Joaquim Valente e ao sumiço consternado do PS, abre uma nova era. Não há a desculpa da pesada herança do passado, que o novo presidente sabia bem ao que vinha. Se as finanças da Câmara estão de rastos, se o quadro de pessoal está sobre-dimensionado, também já o estavam quando Joaquim Valente foi eleito pela primeira vez. A partir de agora, portanto, e sabidas de início as dificuldades, cabe ao novo executivo mostrar o que vale.
Posto isto, que concluir do primeiro meio ano? Como era previsível, houve o anúncio de uma auditoria à gestão anterior. Para muitos isto é uma prova de insegurança, a preparação de uma desculpa pelo fracasso anunciado, mas não vamos por aí: é um gesto normal e havia muitos indícios de que seria necessário. Algumas pequenas obras, como por exemplo a nova rotunda da Estação, que aí distribui hoje muito melhor o trânsito, ou o regresso das iluminações de Natal, significaram melhorias visíveis e baratas. A contratação da mandatária da juventude para a promoção da “marca Serra da Estrela” foi uma maneira trôpega de mostrar que há coisas que nunca mudam, enquanto a não divulgação integral da auditoria à câmara é inaceitável e incompreensível, isto para não esquecer a forma lamentável como Américo Rodrigues foi afastado do TMG. Já a Feira Ibérica (o “ibérica” foi para agradecer a participação de Ciudad Rodrigo?) de Turismo foi um bom momento e a Cidade compareceu em peso, celebrando ao mesmo tempo o anunciado fim da crise e o regresso, breve, do bom tempo. Dentro de semanas teremos as celebrações na Guarda do 10 de Junho, com inaugurações e presidente da República e, aparentemente, tudo corre de vento em popa.
Falta então o quê? Antes de mais, cumprir as promessas feitas a respeito do Hotel de Turismo. Depois, mostrar um plano coerente para atacar as grandes questões, como o passivo e o excesso de pessoal, a falta de empregos, o despovoamento da região.
Um resumo provisório e certamente incompleto pode ser então, sem qualquer ordem ou critério especial, este: uma contratação, um despedimento, uma rotunda, um ou dois eventos, luzes de Natal e uma auditoria que se não deixa auditar. Ainda é pouco.
Por: António Ferreira


