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«Com a tão falada e badalada crise as pessoas retraem-se»

Entrevista a António Augusto Costa socio gerente da empresa Costa & Nogueira, Lda, em Celorico da Beira

P – Há quantos anos iniciou esta atividade?

R – Iniciei esta atividade em 1967, portanto faz já 47 anos, mas na cidade de Mangualde. Em 1981 abri este talho, onde agora nos encontramos, na vila de Celorico da Beira.

Vivíamos então um grande período, pois comercialmente, Celorico da Beira funcionava muito bem.

A estrada Nacional Nº 16 era a única via de comunicação com todas as outras localidades vizinhas que, obrigatoriamente fazia com que todas as pessoas passassem pelo interior da vila, era uma época onde eu comercializava 6 bois por semana, nada comparável com os dias de hoje, era um movimento tal que, me obrigava a passar algumas noites a trabalhar.

Atualmente com a tão falada e badalada crise as pessoas retraem-se, comprando o mínimo possível, antes vendíamos ao kg, atualmente vendemos o nº de febras necessárias em casa de cada um, penso que isto reflete bem o estado económico que o nosso país atravessa.

P – Quais são os seus clientes?

R – Há alguns anos atras, tinha clientes provenientes de outras partes do país a passar os fins-de-semana, que deixaram de aparecer aquando do início das portagens, e isto de facto, teve um grande reflexo na minha atividade comercial.

Hoje os meus clientes são exclusivamente do concelho de Celorico da Beira, apenas alguns do concelho de Fornos de Algodres, mas maioritariamente no dia de mercado, ou seja às terças feiras.

Fornecemos também a Camara Municipal e outras cantinas do nosso concelho.

P – Ao longo destes anos existiu muita alteração ao nível dos requisitos legais na vossa atividade?

R – Até concordo com algumas exigências impostas tais como o HACCP, mas foram criadas com isso dificuldades económicas pelas despesas que todo esse processo acarreta, juntando a este fator, o decréscimo de clientes que atualmente todo o comércio de Celorico da Beira e, eventualmente, de todo o interior do País, sente estas dificuldades.

Pagamos a segurança social, o HACCP, o pagamento por conta, o pagamento especial por conta, a fatura da água e eletricidade que na nossa atividade se torna muito dispendioso face às necessidades impostas, são estabelecimentos que exigem muita limpeza e muito frio, não é fácil manter a atividade.

P – A localização do seu estabelecimento é a adequada para a atividade que desenvolve?

R – Sim de facto estou localizado no centro de Celorico e na rua principal, o que por um lado é positivo mas, por outro trás algumas dificuldades em termos de acessibilidades, pois estamos localizados numa zona onde os estacionamentos são escassos e simultaneamente pagos.

P – Quais são as perspetivas para o futuro?

R – Esperamos e acreditamos que esta crise seja ultrapassada e que as pessoas regressem a Celorico da Beira, fazendo com que a atividade económica no comércio tradicional volte aos tempos passados.

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