A Mizarela, no concelho da Guarda, é a “aldeia do melro”. A lenda ainda se espalha em conversas de café e encontros tão familiares como as memórias “gravadas” na calçada que carateriza a localidade. É num painel de azulejos, fixado na Casa do Povo, que se mostra a história da aldeia que deve a sua existência a um pássaro.
A envolvência natural é a imagem de marca da aldeia, perdida no Vale do Mondego, que se faz percorrer por uma calçada romana razoavelmente conservada. A herança estende-se à ponte num dos extremos – Ponte da Mizarela, que terá sido substituída na idade média, e carrega o nome da aldeia apesar de estar em território vizinho. Pelo caminho há a Igreja Matriz/N. Senhora da Conceição e três capelas (Santo António, S. Gregório e Espírito Santo), “tesouros” desta localidade com pouco mais de 100 habitantes.
Também um solar (oriundo do século XVII/XVIII) e outras casas antigas convidam os curiosos a visitar o passado de todos, numa terra que foi perdendo os seus com a emigração. A estes junta-se a Torre do Relógio, situada a meio da povoação, e quatro chafarizes (Três Bicas, Amial, Testamento e Passo). Num dos pontos mais altos encontra o “Lugar da Pedra Santa”, miradouro de onde se avistam as vizinhas Aldeia Viçosa, Rapa, Prados, Guarda e Vale de Azares.
Inverosímil por natureza, perpetuada por afeto; a lenda da Mizarela conta o insólito que aproximou um agricultor zeloso de um melro atrevido. As cerejas estavam amareladas quando esse pássaro, com bico da mesma cor, saiu de uma árvore lançando o homem no seu encalço. Julgando que este tinha roubado uma cereja, o agricultor atirou a sua espada de cortiça assim que o pássaro parou num barroco de granito, acabando por quebrar a rocha e encravar a espada nela. Na impossibilidade louva-se a determinação das gentes da terra, celebrada até aos dias de hoje.
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