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Opinião

Quando conversamos com os nossos conterrâneos, somos confrontados com desânimos e impossibilidades, que têm raízes profundas na má governação local e nacional. Muitos sentem que não têm futuro no concelho e emigram para os concelhos do litoral ou para o estrangeiro. Fazem-no num movimento permanente que esvazia o concelho do seu melhor ativo: os cidadãos, tanto trabalhadores como empresários.

Comumente, a câmara é acusada de ser o obstáculo maior ao funcionamento da vida social e económica concelhia. É natural que o seja, pois o presidente da Câmara, em entrevista recente, até disse sofismadamente: «Houve alguma solução alternativa da parte da oposição? Não. Porquê? Porque nem sequer tiveram tempo para avaliar o documento. Portanto não podem ter alternativas. Quem não faz trabalho não tem alternativas» (TB, 15/11/2012). Contudo, analisado o tempo disponível, a oposição na Assembleia Municipal recebeu o documento do PAEL (Plano de Apoio à Economia Local), que tem quatrocentas e muitas páginas no site da câmara cerca de 34 horas antes da Assembleia Municipal que a aprovou, e em papel só o teve 22 horas antes. Mas, nada disso era inevitável, pois noutras câmaras todos tiveram acesso a documento semelhante uma semana antes. Concluímos assim que a Câmara obstaculiza e impede deliberadamente o trabalho da oposição. Ridiculamente, aposta no PAEL para pagar dívidas às freguesias e ao sector empresarial que tanto prejudicou, afastando-o do concelho. E ridiculamente não pergunta porquê? É porque sabe…

Somam-se a estes desmandos camarários a paralisia da PLIE, do Plano Diretor Municipal e, em geral, de toda a Câmara, que se mostra incapaz de dizer qual é a sua estratégia e, parafraseando o presidente, quem não faz trabalho não tem estratégia.

Por outro lado, a crise provocada pelos partidos do arco do poder completa o quadro local de desânimo. De facto, listando só os casos recentes, a paragem do projeto de requalificação do Hotel Turismo, os problemas causados na construção do nosso Hospital, o fecho da nossa ligação ferroviária à Covilhã, as portagens elevadas que nos isolam do litoral e da Europa são o resultado de políticas desumanas, por tudo e também por serem vesgas e desatinadamente decididas contra o nosso concelho e contra o interior.

Entretanto, a política de austeridade contra os pobres e a classe média, «que gastam muito» – dizem –, provocou já o encerramento de muitos pequenos comércios, cafés, restaurantes, oficinas, etc, etc, etc,… E já fez e faz falir ou torna insolventes muitos comerciantes e industriais que nos fazem muita falta…

Que fazer?

E a resposta é:

Tem a palavra o Povo para descontinuar esta Política.

Aires Antunes Diniz

* Dirigente da concelhia da Guarda do PCP

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