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Continua impasse nas obras do Hospital da Guarda

Desbloqueamento da verba para pagamento da dívida ao consórcio construtor está dependente do Ministério da Saúde

Ainda não há solução para que as obras de ampliação e remodelação do Hospital da Guarda, paradas desde 9 de abril, sejam retomadas. A Administração Regional de Saúde do Centro confirma que a verba de oito milhões de euros reclamada pelo consórcio construtor Edifer/Hagen não coincide com o montante apurado pela Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, daí que ainda estejam a decorrer negociações no sentido de desbloquear o processo.

Fonte da ARS Centro adiantou a O INTERIOR que o Gabinete de Acompanhamento do projeto de ampliação e remodelação do Hospital Sousa Martins, criado em conjunto com a ULS da Guarda, está neste momento «a proceder à reavaliação do projeto, no sentido de encontrar a melhor solução numa altura em que as severas limitações orçamentais impõem grande rigor na gestão dos dinheiros públicos». Nesse sentido, «após a conclusão deste processo de reavaliação será apresentada uma nova proposta à tutela, dependendo da sua aprovação o desbloqueamento da verba necessária à liquidação da dívida ao consórcio construtor». A mesma fonte reforçou que, no que respeita às fases seguintes dos trabalhos, se aguarda «quer a subscrição do capital estatutário remanescente da ULS da Guarda, EPE, quer o resultado da candidatura a apresentar ao QREN».

A ARSC confirma que o valor reclamado pelo consórcio «não é coincidente» com o montante apurado pelo Conselho de Administração da ULS da Guarda, pelo que «o processo de liquidação da dívida se encontra em fase de negociação». Em consequência, a mesma fonte assegura que «não é possível ainda adiantar uma data para o reinício dos trabalhos». Por seu turno, o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde garantiu na semana passada, na Covilhã, que as obras do Hospital da Guarda «vão ter que terminar», embora não tenha apontado uma data concreta. «O que devo dizer é que, claramente, esta é uma situação que vamos ter que terminar», salientou. Após uma conferência sobre a criação do “Pólo de Saúde da Beira Interior”, Fernando Leal da Costa defendeu que «a ULS da Guarda deverá encontrar, em primeiro lugar e dentro do que é a sua capacidade orçamental, uma possibilidade de fazer as obras, mas isso também pode ser negociado com a ARS Centro».

Valente diz ter garantia que programa funcional não será alterado

O governante acrescentou que, «pelo país, temos tido a dificuldade de encontrar financiamento para obras que foram começadas sem sequer se ter pensado se havia capacidade de algumas vez acabar». Também o presidente da Câmara da Guarda já se pronunciou sobre o assunto, considerando que os atrasos são «sempre preocupantes e muito mais neste caso porque é um projeto da cidade e do distrito». Contudo, Joaquim Valente está «esperançado que a situação melhore porque uma obra de 40 ou 50 milhões de euros não é um investimento que o Estado não suporte. Há verbas na Saúde para isso», sustenta. O edil tem conhecimento de que a primeira fase está «totalmente concluída em termos de empreitada» e que o programa funcional, que contempla a remodelação dos pavilhões antigos, «não vai ser alterado». E reitera que é «importante que esta obra se concretize na sua totalidade», sublinhando que «os olhares do distrito estão postos nela».

Joaquim Valente disse ainda a O INTERIOR que dispõe de informação segundo a qual o novo pavilhão será ocupado «a curto prazo e as contas da obra estarão feitas com o empreiteiro, mas haverá alguns autos de medição que não foram visados». Quanto à segunda fase, acredita que «vai concretizar-se», repetindo que o projeto «já tarda há muitas décadas na Guarda». O edil declarou ainda que a Câmara está «a acompanhar o processo», até porque na sua candidatura de 2005 disse que o Parque da Saúde seria um dos «vetores importantes» do seu mandato. Por sua vez, fonte oficial do consórcio Edifer/Hagen revelou que «não se registaram nenhumas alterações na situação, continuando-se a aguardar que sejam efetuados os pagamentos». De resto, a mesma fonte reforçou que «a obra apenas será retomada após os pagamentos serem efetuados». Já o gabinete de comunicação do Ministério da Saúde não se quis pronunciar, dizendo que o assunto está a ser gerido «diretamente pela ARS Centro».

Ricardo Cordeiro Valor reclamado pelo consórcio não coincide com o montante apurado pela ULS

Comentários dos nossos leitores
nuno morais nunorolomorais@gmail.com
Comentário:
É preciso refletirmos na diferença entre a riqueza e a ostentação. Projetos ambiciosos são importantes e bem vindos. Só interessa projetar a ambição. Se a grandiosidade falhar na concretização poderá resultar algo bom em vez de algo excecional. Ao projetar o corrente e falhar a obra, resulta certamente o medíocre. Mas muito diferente é projetar a vaidade. É que a vaidade tem sempre custos desmesurados, quer sim, quer não. Parece-me que este projeto foi (ou vai ser) exposto numa bienal de arquitectura no Brasil. Alguém me sabe dizer o porquê da sua seleção?
 

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