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Primeira Carta

CARTAS DA FACULDADE

Num dia, estamos a aproveitar as nossas últimas férias a sério. No outro, esquecemos que é Verão, pomos de lado os passeios com os amigos, o livro que estamos a ler ou o filme que pretendíamos ver. Uns caem num silêncio sofredor, outros mergulham numa excitação nervosa e outros, ainda, permanecem tranquilos, sem temores.

Chegou o dia das colocações. Mais cedo ou mais tarde, todos soubemos o nosso destino. Era o fim de uma longa espera, um caminho que já percorríamos há muitos anos. E, simultaneamente, foi o dia que marcou o início do resto da nossa vida.

Hoje, sou uma estudante universitária e, como tal, estou a viver um misto de experiências, sentimentos, mudanças e conhecimentos tão avassalador que quase nem tenho tempo para reflectir nele. Novidade é a palavra mais adequada que me ocorre, não obstante a fraqueza de tal tentativa de descrição. Isto, porque, no fundo, é um esforço inútil: a experiência universitária é para ser vivida e não meramente pensada.

Os primeiros dias foram de uma intensidade inédita. Se, por um lado, gozámos de uma liberdade muito maior, também sentimos o peso da responsabilidade de vivermos às nossas custas – isto, para quem foi forçado a mudar de cidade. Contudo, a Praxe e os novos colegas contribuíram para nos auxiliar nesta fase de adaptação, de modo que eu posso dizer que tive a sorte de ter conhecido pessoas que contribuíram em muito para suavizar tamanha transição.

As aulas “a sério” tinham de começar, eventualmente. E foi então que nos apercebemos de que estávamos verdadeiramente num curso superior, a preparar-nos para desempenhar uma profissão, dentro de alguns anos. A partir desse momento, foi preciso reajustar o nosso horário, procurar um novo equilíbrio que nos permitisse frequentar as aulas, a Praxe e, por outro lado, sair com os amigos, ir aos convívios e às festas.

A pouco e pouco, fomos associando os nomes às caras dos outros caloiros, conhecendo os colegas mais velhos, explorando a cidade em que viveremos nos próximos anos. Há, ainda, muito para ver, sentir, descobrir… E nós, como caloiros que somos, vivemos numa dualidade constante: queremos mais e mais experiências novas e, simultaneamente, desejamos que a novidade nunca se esgote.

Dizem que este ano é o melhor das nossas vidas. Pois bem, aqui estamos, prontos a verificar se o que dizem é mesmo verdade.

Maria João Pinto (Fac. Medicina / Univ. Coimbra)

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