O Hospital da Guarda integra a lista das 19 unidades públicas que estão abrangidas pelo Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade (PTCO), que prevê reduzir o tempo médio de espera de operação dos 15 para os nove meses em 2010, lançado na semana passada pelo Ministério da Saúde. Estão previstas 40 cirurgias bariátricas até ao final do ano na Unidade de Tratamento de Obesidade do Sousa Martins.
«Inicialmente foram apontadas 30, mas acabámos por contratualizar 40», adianta o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, considerando tratar-se já de «um número considerável». Sem precisar quantas pessoas estão actualmente em lista de espera ou a quantidade de operações realizadas em 2009 no hospital guardense, por estar em fase de «actualização dos dados» relacionados com a doença, Fernando Girão diz apenas que «há, infelizmente, muitos casos, que estão nas consultas». A ULS irá receber, de acordo com a documentação publicada no portal do Governo na Internet, um total de mais de 135 mil euros para operações de colocação de banda gástrica, não estando contabilizadas quaisquer cirurgias para “bypass”. O PTCO prevê pagar aos hospitais 3.377 euros por banda gástrica e 4.295 por “bypass”, um valor que inclui a pré-avaliação. O Sousa Martins é a única unidade hospitalar da Beira Interior integrada no novo programa do Governo.
A Unidade de Tratamento de Obesidade do hospital da Guarda, a funcionar desde 2004, «tem toda uma equipa multidisciplinar montada», que inclui um cirurgião, anestesista, nutricionista e apoio psicológico, refere Fernando Girão. Além de determinar que um doente tem de ser operado num prazo máximo de nove meses, o programa obriga a que sejam dadas respostas aos pedidos de consultas num período não superior a dois meses. Caso os hospitais não cumpram os nove meses para a marcação da operação, terão de enviar um vale-cirurgia para o doente logo ao sétimo mês para que este possa ser operado noutra unidade. Este novo programa implica ainda o acompanhamento dos casos durante três anos, sendo a operação apenas uma parte do tratamento. O PTCO inclui consultas pós-operatórias, tratamento de eventuais complicações e acompanhamento por um psicólogo e nutricionista.
Dos 19 hospitais incluídos, o Centro Hospital de Lisboa Norte é o que mais cirurgias vai realizar, num total de 320, enquanto a ULS da Guarda é a que menos tem contratualizadas, seguida do Hospital Distrital de Santarém, com 45. No total, o programa do Ministério da Saúde representa um investimento na ordem dos 9,6 milhões de euros, para uma doença que, segundo uma recente avaliação da Escola Nacional de Saúde Pública, custa por ano ao país 500 milhões. Portugal faz uma média de 1.500 operações da obesidade por ano e espera que o PCTO permita chegar às 2.500 em 2010. No final de 2008 existiam 2.142 portugueses à espera de serem operados. Depois dos hospitais públicos, seguir-se-à a a contratualização com os privados.


