Começa no sábado o único festival de cinema de ambiente que se realiza em Portugal ininterruptamente desde 1995. Para a sua 15ª edição, o Cine’Eco, que decorre em Seia até dia 24, numa organização da Câmara de Seia, decidiu homenagear o “pai” da teoria da evolução Charles Darwin e o realizador francês Yann Arthus-Bertrand, além da meia centena de documentários a concurso e de vários ciclos temáticos.
As sessões repartem-se entre o auditório do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) e a Casa Municipal da Cultura. A primeira sala está reservada à mostra competitiva, com filmes oriundos de 30 países, decorrendo noutros espaços os ciclos dedicados a Darwin, a Arthus-Bertrand, a Raul Solnado e à actriz Milú, popularizada em diversos filmes das décadas de 40 e 50. O CISE também vai acolher um mostra sobre os bombeiros no cinema, integrada na comemoração dos 75 anos dos voluntários senenses, e as secções intituladas “Entre a Lente e a Mente”, relacionando o cinema e a psiquiatria, e “A Lua ao Alcance do Olhar”. Na Casa Municipal realizam-se as sessões de filmes infantis, pela manhã, o ciclo “Outras Terras, Outras Gentes”, com películas que não entram no circuito comercial, e exibidos filmes comerciais da actualidade. No mesmo cineteatro passa diariamente, às 15 horas, o documentário “Home”, de Yann Arthus-Bertrand.
Trata-se da primeira longa-metragem do cineasta francês, que mostra uma deslumbrante panorâmica aérea sobre mais de meia centena de países. São imagens de grande beleza, mas também inquietantes, sublinhadas por um comentário que alerta para a ameaça que pende sobre a sobrevivência do nosso planeta. Como habitualmente, o Cine’Eco promove actividades paralelas, como uma conferência sobre “A Cultura como factor de Desenvolvimento”, no sábado de manhã, e um “workshop” sobre o documentário. O festival inclui ainda três concertos. Na cerimónia de abertura actua o projecto “La Vie en Rose – Edith Piaff”, pelo quarteto de Sylvie C, no dia 21 é a vez do grupo brasileiro Som de Sucata subir ao palco e na entrega de prémios canta Janita Salomé.
Em termos competitivos, o júri internacional é composto por Flo Stone (directora do Festival de Washington, um dos mais prestigiados festivais de cinema de ambiente do mundo); os actores portugueses Susana Borges, Laura Soveral, Ricardo Pereira, Anabela Teixeira e António Escuteiro (realizador de documentários), Maria Elizete (directora da Unidade Universitária Cora Coralina – UEG de Goiás – cidade brasileira geminada com Seia), bem como os senenses Mauro Costa, Filipe Fontes, Victor Alves, João Estevão, José Tavares, entre outros. Do júri da Lusofonia fazem parte, nomeadamente, Denise Godoy (escritora de Goiânia), Licínia Girão (jornalista), António Colaço e João Pereira Bastos. O júri da Juventude integra alunos de cursos de cinema e jovens de Seia, enquanto o júri das Extensões é formado por representantes das várias entidades que acolhem o festival ao longo do ano por todo o país.



