O Natal é, por excelência, a festa da família. Só que a tradição já não é o que era e há cada vez mais alternativas para uma Consoada “fora de portas”. Na região, nem todas as unidades hoteleiras proporcionam esta possibilidade, mas, nos últimos anos, a maior parte percebeu que este é um negócio em ascensão.
«Tem vindo a aumentar ano após ano», confirma José Almeida, director de operações do grupo IMB Hotéis. A cultura de juntar a família à lareira está a passar “à história” e, no caso da Covilhã, todos os anos chegam ao Hotel Turismo dezenas de famílias que aproveitam a quadra «para fazer férias na neve». Nesta unidade são esperados para a Consoada cerca de 160 comensais, o que representa um aumento de 15 por cento em relação ao ano passado. Já no Hotel Vanguarda serão perto de três dezenas. Em comum têm o facto de serem, maioritariamente, «de fora da região». Procuram «o conforto, a qualidade do serviço e ainda valências de lazer e bem-estar», acrescenta o responsável. Mas porque é Natal, apesar de tudo, os hotéis fazem questão de colocar uma prenda no “sapatinho” de cada cliente.
Na Pousada Convento de Belmonte, a Consoada vai reunir 18 pessoas, o que representa um aumento de 50 por cento em relação a 2007. «As pessoas querem poupar dinheiro e não ter responsabilidades», justifica Dora Ferreira, recepcionista, para quem a região é um destino «perfeito» para a noite de Natal. «O frio está associado a esta quadra e foge-se à confusão das grandes cidades», argumenta. Assim, uma noite habitualmente «fraca» transformou-se, este ano, numa aposta, «com um programa mais “composto” e ajustado a uma procura maior», revela. Em Seia são esperados entre 80 e 100 clientes na noite de Natal. São turistas que vêm à neve, grupos pequenos e que não têm família. «Por vezes, as pessoas com problemas em casa refugiam-se nos hotéis», adianta Jorge Camelo. O assessor da direcção do Hotel Camelo recorda que a maioria dos estabelecimentos encerra nesta altura, o que considera «imoral, porque há que estar com os clientes em todas as épocas», defende.
Quanto ao Hotel Príncipe da Beira, no Fundão, vai receber 60 pessoas. Cidália Castro, directora comercial, garante que a procura «não pára de aumentar» desde 2004. E há de tudo. Clientes «com uma família muito numerosa», outros que «não querem ter trabalho», além do próprio papel da mulher ser diferente nos tempos que correm. «A maioria trabalha fora de casa e não tem tempo para preparar uma refeição exigente, até porque este ano a Consoada é num dia da semana», lembra. A decoração, a música e até a disposição das mesas na sala onde vai ser servida a refeição são pensadas ao pormenor para esta noite. «Tentamos criar um ambiente familiar e dar privacidade a cada família», sublinha. Em Trancoso, o número de clientes do Hotel Turismo também tem disparado nesta altura do ano. «Na maioria dos casos são famílias que se querem juntar, mas moram em sítios diferentes. Escolhem um lugar mais central e reúnem-se num restaurante ou hotel que possa facilitar a deslocação a todos», explica o director-geral da unidade.
Luís Cerveira fala também em clientes que vêm de fora para se encontrar com familiares da “cidade de Bandarra”. Assim, dos 19 quartos ocupados na noite de 24, apenas nove vão jantar no hotel. A refeição, «uma Consoada à moda da Beira», inclui um presente à meia-noite. As crianças recebem um livro de pintura e os adultos uma chávena alusiva ao município. A troca de prendas decorrerá, como manda a tradição, à lareira.
As ementas e os preços
O bacalhau e o peru são, naturalmente, as iguarias predominantes nas mesas dos hotéis da região. Nas unidades do grupo IMB há ainda um sugestivo aveludado de aves com amêndoa e um buffet de sobremesas de “fazer inveja”. Os preços andam à volta dos 162 euros por pessoa em quarto duplo na Guarda (programa de três dias e quatro noites). Na Covilhã são 232 euros e em Unhais da Serra 320 euros (programas de quatro dias e três noites). A Pousada de Belmonte vai servir um guisado de cabrito para além do bacalhau e do polvo e a refeição custa 30 euros por pessoa. No Príncipe da Beira são 37 euros, que dão direito ao jantar e a uma ceia. Em Trancoso será servida uma sopa de bacalhau, pescada frita, couves de Natal e filetes de polvo frito, entre outras iguarias.
Rosa Ramos


