Sábado
Cabrão de diário,
(um oink que se preze não trata ninguém por “querido”, muito menos o próprio diário. Sejamos sérios, um oink não tem diário. Isto é só um artifício estilístico, ainda por cima requentado, para continuar a manter a cooluna até um dia ter assuntos que realmente interessem às pessoas.)
um amigo, depois de um dia inteiro passado nas cerimónias de casamento de outrem (noite não incluída, suponho), envia-me uma mensagem escrita: “Os casamentos são uma seca”. De pronto, respondi: “E a tua mulher não é das piores…”
Domingo
Sabes, meu sacana,
desde o motociclismo de madrugada (meio-dia) até ao basebol às 3 da manhã não parou de dar desporto nos vários canais. Quer dizer, houve uma hora de interrupção. Na SIC Radical passava o Rancho das Coelhinhas. Se a ERC fosse uma instituição de apoio à família, já só tínhamos a TVI.
Segunda
Meu palermóide,
já sabia há muito tempo que o pão ao fim de três dias ganha uma certa densidade. Hoje descobri que um ovo cozido, após uma semana, adquire uma coloração semelhante aos ovos verdes, recheados com salsa. O sabor também não difere muito. Espero que não perca os valores energéticos.
Terça
Nem imaginas, palhaço de papel,
há homens e mulheres por esse planeta fora que aturam uns aos outros birras, amuos e chatices. Os oinks não. Na pior das hipóteses ouvem uma reprimenda de vez em quando, mas desligam agilmente e com desculpa esfarrapada. Mas despedem-se com ternura: “Adeus, mãe, até para a semana.”
Quarta
Ouve esta, diário imbecil:
numa conversa amena de café (para ser rigoroso deveria ter escrito “pastelaria”, mas é abichanado) um amigo com problemas de catequese admitiu que prefere o sexo depois do casamento. “Mas às vezes”, confessou-nos abatido, “não é fácil distrair o noivo”.
Quinta
Hoje, meu grandessíssimo galhofeiro,
é dia de sair com mais um ou dois oink’s. Vários oink’s juntos à noite são uma espécie de Indiana Jones. No início são os salteadores da orca perdida mas é quando regressam a casa que dão conta do tempo perdido.
Sexta
É curioso, diário rabeta,
ver o ciúme mútuo entre solteiros e casados (categorias sociológicas usadas nos jogos das festas nas aldeias). Os casados invejam nos solteiros a liberdade de sair, de escolher o canal de televisão e de limpar as mãos aos cortinados, que sabem perdida para sempre (ou até ao divórcio). Por outro lado, os oink’s invejam a companhia ao serão, a cama quente e a cunhada boazona a dormir lá em casa.


