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Peste ou Sida?

Não se trata, necessariamente, de fundamentalismo ou de uma corrente de pensamento ligada ao partido de “Os Verdes”, nem é sequer uma manifestação populista, anti-democrática ou de movimentações “pró-contra”. Esta minha intervenção num espaço público como este, tem como único objectivo, único e exclusivo, a obtenção de uma resposta por parte de quem desça a si próprio, ao convés da sua consciência e assuma a responsabilidade que o caso lhe confira.

Com a chegada da Primavera, na aldeia onde nasci e que, por isso mesmo, é o sitio mais puro e onde melhor me sinto, tornou-se habitual e prática corrente alguém, pago pelas autarquias, espalhar abundantemente pelas bermas dos caminhos e estradas um líquido cuja composição não conheço – mas é certo que a verdura que todos esperávamos, sucumbe e desfalece ganhando uma cor doente, ressequida, podre como dejecto químico.

Eles chamam-lhe pesticida, um nome que me suscita a Idade Média em que a peste dizimava vidas e semeava morte por toda a parte. A minha questão é esta: Fica mais bonita a berma da minha rua nesses tons ferrugentos? Alguém pensou na fauna microscópica que morre indefesa? Na fauna não microscópica que adoece e sucumbe? Nas linhas de água que recebem esta purga delinquente?

Que vantagens traz esta guerra química à minha e muitas pacatas aldeias, onde a verdura é a única coisa que não é levada pela desertificação? Sr. “fulano tal” acredite que há outras formas de gastar os fundos atribuídos para as limpezas, por exemplo… limpando.

Fernando Birra, Quintas de Sº Bartolomeu (Sabugal)

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