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Área de Logística Empresarial – O passado

Em documento intitulado “Plano Estratégico da Cidade da Guarda”, da Câmara Municipal da Guarda, com data de realização de 1995, foram clarificados os desígnios, caminhos, processos e medidas para a modernização e progresso da Guarda. Nesse interessante documento, entre outros assuntos, são identificadas potencialidades e as debilidades, sendo uma das potencialidades referidas: a plataforma logística.

Em 2000, outro documento, da autoria da sociedade Augusto Mateus & Associados, com o título “Estudo de Viabilidade do Novo Parque Industrial da Guarda – Relatório Final”, refere como grande oportunidade a constituição de uma Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial (PLIE), em que um dos quatro eixos definidos é uma Área de Logística Empresarial (ALE). Nesse estudo são também identificadas várias debilidades do Concelho da Guarda, que, não deixam de ser as mesmas elencadas no primeiro documento referido, acrescentado de outras.

Das debilidades elencadas, que são muitas, estão por exemplo (mais relacionadas com a ALE): a insatisfatória massa crítica e qualificação da mão-de-obra; o deficiente ordenamento e aproveitamento do actual Parque Industrial; as deficientes acessibilidades; e a incompatibilização entre a oferta do sistema de ensino e de formação profissional e a procura empresarial.

Este estudo, se efectuado hoje, não incluiria as mesmas debilidades. Ao nível da qualificação, para além da oferta escolar normal, temos um IEFP que eleva as qualificações da população activa; uma Escola Profissional, que já em 2009 colocará no mercado de trabalho mão-de-obra qualificada, especificamente direccionada a sectores concretos; um Instituto Politécnico que forma pessoas ao nível do que de melhor se faz no país, e ainda com espaço para colaboração com os agentes económicos locais. As acessibilidades, são hoje inegavelmente muito boas, podendo essencialmente melhorar nas ligações inter-urbanas. Já com o espaço e as infra-estruturas criadas no que será a PLIE, deixa de ser debilidade o Parque Industrial.

Passaram 14 anos desde a referência a uma plataforma logística, foram colmatadas algumas debilidades, disponibilizado o espaço e criadas infra-estruturas básicas, o que falta então para o sucesso da Área Logística Empresarial? Resposta simples: as empresas. Resposta mais complicada seria: como captar empresas a instalar nesta Área, especialmente aquelas que melhor irão interagir com as sinergias projectadas para toda PLIE?

Em exercício simples e rápido, enviei um pequeno inquérito, a algumas empresas de dimensão média/grande (volumes de negócios das empresas consultadas, variam entre os 10 e os 100 milhões de euros), situadas na linha Braga, Porto e Lisboa, tendo sido preenchido por pessoas com funções decisórias. E se, com as respostas recebidas, não podem ser tiradas conclusões definitivas e absolutas, pode-se, e esse era o objectivo, apoiar aquilo que muitos de nós pensamos. Esses resultados serão objecto de análise num próximo artigo, excepto uma das questões, cujo resultado foi: num país pequeno como Portugal, são muitas as empresas desconhecem, ou que têm uma ideia muito redutora, da Área Logística Empresarial implantada na Guarda.

O que me leva a questionar sobre a forma actual de divulgação e promoção da Guarda como um todo, e da ALE em particular. Apesar dos muitos organismos e associações existentes, não seria positivo criar um Grupo de trabalho transversal aos sectores da Gestão, economia, demográfico, urbanístico, investigação (via ensino superior existente), economia, turismo e cultura, que pensasse a Guarda como um todo, que aconselhasse e acompanhasse de forma permanente o plano estratégico da Guarda?

Por: Paulo Fragoso

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