Cara a Cara

«Pagar propinas mais caras pode pôr em causa um direito de todos poderem estudar no ensino superior»

Escrito por ointerior

P – Está a ser organizada uma manifestação na Covilhã contra o descongelamento das propinas, o que está preparado?
R – Temos uma manifestação marcada para esta quarta-feira, na Meia Lua, em frente à Faculdade de Artes e Letras, a partir das 15 horas. Convidamos todos os alunos da Universidade da Beira Interior (UBI) e todos os estudantes a participarem porque achamos que é muito importante. A nossa revolta tem a ver com a intenção do Governo aumentar as propinas – que já foi derrotada no ano letivo passado pela mobilização dos estudantes, incluindo na Covilhã, face aos cortes no investimento público no ensino superior, sendo que a UBI é já uma das instituições de ensino superior mais subfinanciadas. Também contestamos a dita “reforma da Ação Social” que já significou o aumento dos preços das residências estudantis públicas e que significará o corte de bolsas a milhares de estudantes no próximo ano letivo. O Decreto da Exclusão, que vem colocar ainda mais barreiras no acesso a licenciaturas, mestrados e doutoramentos, é outro motivo para sairmos à rua.

P – O descongelamento das propinas, associado ao aumento do custo de vida dos estudantes deslocados, é mais uma machadada no percurso dos alunos do ensino superior?
R – Sim, até porque nós, principalmente quem vem de longe, sente muito isso na pele. É problemático para quem não tem tantas condições para, por exemplo, ter acesso a uma residência que não seja da faculdade. Já começamos a ver uma degradação nas residências da própria universidade e acréscimos com as refeições, as viagens. Ter de pagar propinas mais caras pode pôr em causa um direito de todos poderem estudar no ensino superior. As condições financeiras e os gastos de um estudante são uma parte importante do nosso dia-a-dia. A política do Governo não só não contraria a política dos últimos anos e as injustiças e desigualdades que sentimos todos os dias, como as vem agravar. Não podemos aceitar este caminho. Chamamos à responsabilidade o Governo, o Chega e a IL, que se têm alinhado com a política do Governo, mas também o PS, que já se comprometeu com a aprovação do Orçamento de Estado para 2027, e, por conseguinte, com medidas como os cortes no investimento no ensino superior e o aumento das propinas.

P – Como e quando é que apareceu a vontade de se manifestarem por esta causa?
R – Isto começou quando um grupo de alunos se juntou, completamente revoltados com o anúncio do descongelamento das propinas. Dada a quantidade de estudantes descontentes não foi muito difícil organizar um movimento e juntar pessoas interessadas nesta iniciativa. No fundo, começámos a falar, a divulgar o que ia acontecer e fomos juntando mais pessoas com a mesma vontade de ir à luta. Estamos a fazer contactos na UBI e temos pedido aos alunos que partilhem informações sobre a manifestação, que se juntem e tragam os amigos. Neste protesto, exigimos o aumento do investimento público no ensino superior, a progressiva gratuitidade, tal como preconiza a Constituição, o reforço da Ação Social e contestamos o aumento dos preços nas residências, exigindo o cumprimento do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior, aprovado em 2018 e ainda por cumprir, e a rejeição do Decreto da Exclusão.

P – Têm o apoio da Associação Académica da UBI ou da própria instituição de ensino?
R – Estamos em contacto com elementos da Associação Académica da Universidade da Beira Interior para ter o apoio da AAUBI porque, no fundo, estamos a falar de um tema que acaba por englobar todos os estudantes.

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