Sociedade

Aos 90 anos, João Velho mantém aberta uma das mercearias mais antigas da Guarda

Escrito por Sofia Pereira

Os clientes e os produtos são menos do que há 50 anos, mas é na loja na Avenida de São Miguel que o comerciante quer «passar o tempo»

Aos quase 91 anos, João Velho continua a querer trabalhar – mantendo abertas as portas de uma das mercearias mais antigas em funcionamento na cidade mais alta. O comerciante faz, no dia da cidade da Guarda, 27 de novembro, 91 anos de vida e, com orgulho, afirma viver na «loja que abri há 50 anos», na Avenida de São Miguel, na Guarda.

Ao longo das décadas, João Velho conta ter ganho «muita clientela, tanto na Guarda como na região do Jarmelo» e parte destas pessoas ainda continua a visitar e comprar na Mercearia tradicional. «Todos os dias recebo algum cliente habitual» que, segundo desvenda, «vêm à procura da batata boa, fruta, legumes… agora já não tenho tanta coisa à disposição porque a idade já não me permite fazer tudo o que fazia».

Por mais que o negócio já não seja tão rentável como há 50 anos, João Velho trabalha para se «distrair» e conviver com quem por ali passa. «Várias pessoas que vêm do estrangeiro visitam a loja para ver se ainda cá estou e para me darem um abraço, e isso também me obriga a estar aqui permanentemente», desabafa João Velho a O INTERIOR, recordando ainda que tem, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (BMEL), uma obra sobre a sua vida, chamada “João Nunes Velho vida em verso”, escrita por António Sá Rodrigues.

Os familiares de João Velho já sugeriram que o natural de Vila Franca do Deão fechasse a loja para que não tenha a responsabilidade profissional, mas o comerciante decidiu que é assim que quer «passar o tempo», na mercearia que abriu há 50 anos, e a filha concordou que o pai deve permanecer na loja «até querer», com todo o apoio necessário.

Perto dos 91 anos, João Velho gostava de ver, nas ruas da Guarda e não só, «mais lojas como a minha, e que as pessoas não tivessem vergonha de vender as batatas e os produtos da terra». Isto porque, para o comerciante, atualmente, os vendedores dão primazia «às coisas de luxo e que vêm do estrangeiro, esquecendo-se dos produtos dados pela natureza». Sabe-se que as grandes superfícies também foram um «grande entrave ao desenvolvimento de mais mercearias tradicionais», e João Velho, olha para a Avenida de São Miguel, na Guarda, e conta que, naquela zona, as mercearias têm de «fazer uma grande ginástica para continuar a trabalhar». João Velho atribui parte da culpa aos «governantes, que autorizaram a abertura de sete supermercados na Estação».

E, apesar de tudo, a força de vontade de João Velho, aos 90 anos de idade, para manter abertas as portas da loja na Avenida de São Miguel há 50 anos, continua a ser a mesma do primeiro dia, pois, sabe que «há sempre quem seja fiel às pequenas mercearias», pelo que, os clientes nunca vão deixar de aparecer.

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Sofia Pereira

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