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«Queremos voltar a ter uma relação com a cidade da Guarda»

Cara a Cara – Entrevista

P – Já se tinha candidatado no ano passado e saiu derrotado. O que o levou a candidatar-se novamente?

R – Saí bastante desgastado daquela campanha, mas, logo nos meses seguintes, foram muitos os colegas que continuaram a incentivar-me, a dizer que não poderíamos desistir e que avançariam novamente se fosse eu a liderar o grupo de trabalho. No ano passado todos os estudantes nos diziam que era preciso mudança e nós acabámos por ficar um pouco “chateados” por terem recuado no dia da votação. Continuámos com o grupo “Reage” e isso fez com que se tivesse mantido cerca de metade da lista anterior.

P – Qual será a primeira medida da nova direcção da Associação Académica da Guarda (AAG)?

R – Primeiro tenho que tomar posse, o que poderá levantar muitos problemas legais, já que a direcção cessante mostrou nitidamente vontade de não me querer dar a posse. Vou esperar e cumprir o que os estatutos dizem até que me seja dada a posse. Tenho consciência que sou o presidente dos estudantes, mas não posso trabalhar enquanto não for empossado e, pelas minhas contas, só em finais de Fevereiro deverei assumir o cargo. Em termos de iniciativas, não admito que as cantinas do IPG não funcionem ao fim-de-semana e, desta vez, não é o estudante que vai recuar, serão os Serviços de Acção Social, que têm que criar meios para que os estudantes possam ter um local para jantar ou almoçar. Esta é uma das questões que quero ver resolvidas muito rapidamente, nem que tenha que haver fecho de escolas ou outras formas de luta. Mais fácil de conseguir, penso eu, será o alargamento do horário da biblioteca do Instituto, que fecha às 22 horas. Depois, tencionamos reeditar o jornal da Associação e, se tudo correr bem, a primeira edição poderá sair em Maio.

P – O que irá mudar em relação à política que vinha a ser seguida pela direcção cessante?

R – Mudará tudo. Criámos dois novos departamentos que são essenciais numa academia: o Pedagógico e o de Política Educativa. São duas áreas que, a nosso ver, são fundamentais para que a Associação Académica da Guarda dê resposta às necessidades dos estudantes no que toca à pedagogia e às reformas do ensino superior.

P – Quais são as grandes ambições da nova direcção?

R – Primeiramente limpar a casa. Assusta-nos que instalações tão recentes já estejam tão degradadas, nomeadamente as casas de banho. Depois, é a parte da contabilidade e aí teremos que ser rigorosos, passando, provavelmente, alguns dias a ver documento a documento e esperar que as pessoas a quem esta direcção ainda deve no-lo digam também. Obviamente que acatarei as dívidas da Associação assim que tomar posse, mas, quando as tiver todas na mão, também as divulgarei, porque os estudantes devem saber onde foi gasto o dinheiro.

P – Como é que pretende resolver essa questão? Qual é o montante em dívida?

R – Espero que haja bom senso por parte das entidades às quais vamos passar a ser devedores. Contudo, a grande questão é saber qual é verdadeiramente o montante da dívida. Estou à espera que aquilo esteja um caos, mas não penso desistir facilmente. A dívida poderá ultrapassar os 50 mil euros, embora eles digam que pagaram mais de metade desse valor no ano passado. Só que também tinham dito que não havia dívidas quando tomaram posse, logo é um contra-censo. Dizem agora que só ia em 20 mil euros, mas que pagariam todas essas dívidas até ao final do mandato.

P – Que projectos tem para este mandato?

R – Prometo, desde já, uma boa Semana Académica. Nem sequer vou pensar em dizer que não há dinheiro, porque há formas de o conseguir. Temos subsídios anuais do Estado que têm que ser investidos e estamos a falar em cerca de 30 mil euros, neste caso atribuídos pelo IPJ, e depois temos os órgãos das escolas que dão o devido subsídio e outras entidades. Queremos voltar a ter uma relação com a cidade, coisa que não aconteceu nos últimos anos, nomeadamente com algumas empresas e o comércio da Guarda.

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