É a chave da minha divergência com o PS. Recentemente questionado sobre o que faria diferente estando basicamente de acordo, tive de objectivar uma resposta. E a resposta é que as leis portuguesas enfermam da ausência de poder a quem lidera. Se damos o poder a alguém e depois lhe pagamos menos do que ganhava antes e uma ausência de mecanismos de decisão, aí ninguém pode chefiar. O director quando assume o cargo leva mais 10 por cento de salário base, mas fica em exclusividade e assim perde todos os outros ganhos que já tinha construído. Perante um mal-educado coloca um processo que dificilmente irá ganhar, correndo o risco de um juiz sem senso considerar até difamação. Assim um líder pode, com os 10 por cento, ter de pagar milhares de euros de indemnizações por combates que fez em prol do Estado que o convidou para o poder. E isto mudou? Nada. A opção deste Governo parece ser pelo pomposo benchmarking, acreditando que este mecanismo de gestão é mais fiável que a liderança. Nesta base conceptual surge a relação do MIT com várias universidades, e surgirá a relação das referências americanas em saúde com as Faculdades de Medicina. Mas o erro está na comparação do incomparável. As universidades de excelência pagam excelentemente a pessoas universalmente tidas por referências. As universidades privadas americanas cobram couro, cabelo, hipoteca de apartamento e mais umas dívidas à banca. As universidades privadas avaliam os seus desempenhos e obstinam-se no sucesso, com gente que não é absentista, com alunos que estudam, que são motivados, que desafiam o conhecimento, em grupos de trabalho onde abundam investigadores famosos, clínicos propagandeados e tantos truques de atrair clientes que nós achamos mal. Nós temos uma cultura em que é proibido fazer propaganda, como por exemplo os anúncios médicos em jornal, cheio de limitações legais. Os professores excelentes que temos são “excelentes”, mas ninguém sabe à luz de que critério – os americanos são avaliados e constantemente expostos aos seus resultados. Esta cultura da liderança nós não temos, pelo contrário, gostamos muito do método das carreiras.
Liderar não é ter um poder ilimitado nem nada fazer depois de escolhido. Liderar é ter uma estratégia, é incluir os outros nos objectivos, é alcançar o prestígio de ver concretizadas as metas traçadas, é ver satisfação e produzir satisfação, é partilhar sucesso e ideias. Habituei-me a ver gritaria e farronca no lugar do mando, e habituei-me a ver gente que não cumpre e não é punida, e habituei-me a ver chefes sem estratégia e preguiçosos. E tudo isso é muito diferente da América que modela o pensamento do Governo Socialista actual.
Por: Diogo Cabrita


