P – Seis anos de crónicas mensais n’O INTERIOR estão agora publicadas num livro de Maria Afonso, intitulado “A inutilidade das Coisas”, o mesmo nome do espaço de opinião neste semanário. Qual foi a inspiração para escrever as várias crónicas?
R – Um pouco de tudo, a vida, o dia-a-dia, os olhares, as canções, o que lia, aquilo que estava a acontecer… Eu tenho crónicas em que posso não falar diretamente sobre aquilo que estava a acontecer naquela altura, mas retrato, por exemplo, a pandemia, a guerra da Ucrânia, as eleições, as últimas eleições em pandemia, a chegada da Primavera, o Dia da Poesia, portanto, era um pouco a ligação à vida, ao dia-a-dia e às minhas emoções.
P – Professora de História na Secundária Afonso de Albuquerque e poeta nas horas vagas, como foi escrever estas crónicas todos os meses?
R – Foi uma aventura muito bonita que começou com o convite de Luís Baptista-Martins, diretor de O INTERIOR, que me deu toda a liberdade para escrever e sempre me acolheu de braços abertos. A verdade é que não sabia quem me lia, mas fui tendo algum “feedback” das pessoas que liam e que me diziam que gostavam. Portanto, eu ficava satisfeita. Mas chegou a um ponto em que achei que, se calhar, já não tinha muito mais a dizer e parei.
P – O livro reúne crónicas sobre lugares, canções, cinema, literatura, poesia e arte, mas também sobre a melancolia, a família, os amigos, as viagens e a cidade. Porquê compilar todos estes textos num livro?
R – Para, no fundo, recolher tudo aquilo que tinha escrito, ficar tudo compilado. As pessoas também me perguntavam porque é que não compilava as crónicas escritas, visto que era uma boa opção e que iriam gostar. Então, também fui por aí e incluí todos os textos, inclusive o texto comemorativo dos 20 anos do O INTERIOR. Não escrevia propositadamente sobre isto ou aquilo que estava a acontecer para ficar registado, mas porque sentia que tinha de escrever sobre o que estava a acontecer no momento.
P – Ao longo de seis anos, intitulou todas as crónicas de “A Inutilidade das Coisas”. Porquê este título?
R – Na verdade nunca sei bem o porquê de atribuir um título. Eu não gosto de atribuir títulos a nada. Aliás, as crónicas tinham sempre o mesmo nome, “A inutilidade das coisas”. Em parte, porque vivemos num mundo de consumismo, de futilidade, e, às vezes, as coisas parece que não têm utilidade, ao contrário de outras que, se calhar, até têm imensa utilidade e não se dá por elas. Daí que a palavra “inutilidade” acaba por ser um pouco ambígua. Pode ter o seu significado verdadeiro ou o inverso.
P – A quem é que este livro poderá interessar, e onde o podem encontrar?
R – Interessa-me a mim primeiramente, e pode ser lido por quem gostar de crónicas. E tem uma vantagem que já alguém me disse, quando não gostam de ler livros muito grandes, muito extensos, as crónicas podem ser lidas à medida que lhes apetecer. Podem saltar de umas para outras, pelo que não há o rigor de seguir temporalmente as crónicas, o que poderá ser uma vantagem. O livro pode ser adquirido através do site da editora (Edições Sem Nome) e, possivelmente, vou deixar alguns também na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda.
P – Para o futuro, já tem outras publicações pensadas?
R – Antes deste livro estava a trabalhar num outro mais pequeno de poesia, mas a verdade é que neste momento ainda não tenho projetos bem definidos. Foi engraçado, na apresentação de a “Inutilidade das Coisas”, quando várias pessoas me disseram que o próximo seria um romance, mas eu não sei se me estou a ver a escrever um romance. Nunca se sabe.
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PERFIL:
Autora “A Inutilidade das Coisas”
Nome: Maria Afonso
Idade: 64 anos
Naturalidade: Fóios, Sabugal
Currículo (resumido): Viveu em Lisboa até ao 10 ano, quando veio para a Guarda. Cursou História na Universidade de Coimbra e deu aulas em vários pontos do país, até se fixar novamente na Guarda.
Livro preferido: “Livro do Desassossego”, Fernando Pessoa
Hobbies: Passear, escrever, viajar, observar a natureza, ver o mar


