Cara a Cara

«Temos feito um campeonato brilhante, mas ainda não conseguimos o objetivo»

Escrito por ointerior

P – O Guarda FC chega ao fim da primeira volta com 5 pontos de vantagem sobre o mais direto perseguidor. É uma classificação dentro das expetativas traçadas no início da temporada?
R – Foi-nos proposto criar um grupo de trabalho que nos permitisse poder atingir os nossos objetivos e a verdade é que tem dado uma excelente resposta. São cinco pontos de vantagem neste momento, é uma margem importante para nós, mas também não nos permite ainda estar completamente confortáveis. O balanço é extremamente positivo. O grupo de trabalho é muito jovem e tem passado por algumas lesões – que não são graves, é verdade –, mas tem tido uma capacidade de superação muito grande e uma ambição e vontade enorme em querer evoluir. Temos conseguido os resultados que pretendíamos e para os quais trabalhamos muito.

P – Qual é a receita para este sucesso?
R – Tem sido compromisso e humildade, que tanto nos caracteriza e caracteriza o nosso trabalho. Toda a gente sabe que o Guarda FC tem um projeto que nos permite ter condições de trabalho para atingirmos os objetivos a que nos propusemos. Mas a receita tem sido realmente a vontade e a superação de querer sempre mais. O grupo é muito jovem, mas mostra uma ambição enorme. Tem um valor muito grande, uma margem de progressão muito grande, que também nos permite ser competitivos e trazer qualidade e organização.

P – Mas nada está ainda decidido, falta uma segunda volta. Esta caminhada invicta é para continuar?
R – Jogo após jogo e jornada após jornada tem sido um discurso muito utilizado até pela juventude que tanto caracteriza o grupo, ainda que, aqui e ali, exista alguma falta de maturidade. Temos o Ginásio Figueirense, que tem feito um excelente campeonato, mas, por outro lado, também existe o Guarda FC que tem feito um campeonato brilhante até ao momento. Ainda não nos permite atingir o objetivo a que nos propusemos, mas neste momento permite-nos ambicionar algo que queremos muito, sermos campeões e consumar a subida de divisão.

P – Concorda que os campeonatos se decidem, habitualmente, nos primeiros dois meses do novo ano?
R – Tive a oportunidade de trabalhar no Guarda FC no ano passado. Sei perfeitamente que estamos a chegar a uma altura do ano em que as condições climatéricas não são as melhores e nem sempre são as favoráveis para se praticar futebol. Somos uma equipa que gosta de ter bola e precisa de ter condições que nos permitam dar essa qualidade de jogo. Não vou fugir à verdade. É um mês muito importante pelas condições climatéricas, mas também porque vem aí uma fase onde vamos defrontar equipas que nos trazem algumas dificuldades. O jogo com o Fornos de Algodres [no domingo] foi um bom exemplo. Vai ser um mês muito desafiante, mas, com o compromisso e a capacidade de trabalho que a equipa tem apresentado, acredito que podemos alcançar coisas muito boas e muito bonitas para o nosso futuro.

P – Na época passada, a manutenção no Campeonato de Portugal esteve muito perto e este ano, a meio da competição, o Gouveia tem o destino traçado. O que falta para que os clubes do distrito acabem com o “sobe e desce” nos Nacionais?
R – Do meu ponto de vista, essa foi uma época desportiva muito bem conseguida. O Guarda FC valorizou todos os atletas, a equipa técnica e o clube. A verdade é que a descida divisão foi algo que não queríamos e que contrariou o trabalho realizado durante o ano. Trabalhar no distrito da Guarda não é fácil, mas, vendo as coisas noutra perspetiva, penso que trabalhar em clubes do Distrito da Guarda valoriza muito o trabalho e a carreira desportiva de jogadores, treinadores e projetos desportivos como o Guarda FC. Seria muito bom se o Gouveia conseguisse manter-se nos campeonatos nacionais e, com a subida de mais um clube, ter duas equipas do distrito nos Nacionais seria algo muito bom. Não tem acontecido. É preciso olhar para dentro e perceber o que realmente falta e tentar mudar o paradigma para que no futuro, a curto, médio ou longo prazo, se consiga ter equipas do distrito da Guarda nos campeonatos nacionais.

P – A cidade da Guarda está com o clube e revê-se, finalmente, no Guarda FC?
R – As pessoas começam a aderir ao projeto. O 12º jogador é um elemento muito importante para nós. Aquilo que quero – a que todos queremos e esperamos – é que seja uma coisa que vá aumentando e que as pessoas sintam que são realmente muito importantes na nossa caminhada. Acredito bastante no nosso projeto e foi por isso que aceitei dar continuidade ao trabalho. Acredito bastante na cidade e trazer as pessoas para o futebol também é muito importante. Acredito que é possível assegurar uma equipa, por mais tempo, nos nacionais. Vai trazer mais gente ao futebol e vai mexer com tantas outras coisas que são importantes para a Guarda, para o clube e para toda a gente.

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PERFIL
Nome: Rui Ferreira
Treinador do Guarda Futebol Clube-SAD
Idade: 32 anos
Naturalidade: Porto
Profissão: Treinador de futebol
Currículo: Treinador principal (escalões de formação): São Pedro e Ponterrolense entre 2012/20; treinador-adjunto no GD Loures e CD Olivais e Moscavide entre 2022/24; treinador-adjunto no Guarda FC-SAD em 2024/25 e treinador principal no Guarda FC-SAD na presente época desportiva
Livro preferido: “Legado”, de James Kerr
Filme preferido: “Diamante de Sangue”, de Edward Zwick
Hobbies: Família e amigos, praticar desporto, viajar, ver séries e documentários

Sobre o autor

ointerior

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