Cara a Cara

«A distinção entre interior e litoral é cada vez mais notória e pode ditar o futuro das instituições de ensino superior do interior»

Escrito por ointerior

P – Vai assumir o terceiro mandato, quais são os objetivos e prioridades?
R – Este último mandato haverá novidades em várias áreas. Estamos divididos entre sete secções com atividades para os estudantes e queremos apostar em todas elas. Na parte da Imagem e Comunicação, queremos criar uma revista em que os nossos colaboradores e os alunos de Comunicação e Jornalismo estejam presentes – algo parecido ao que foi tentado anteriormente, mas que não teve grande sucesso e queremos arranjar uma forma de os tentar envolver. No desporto queremos criar uma ligação aos desportos de Inverno, algo em que já estamos a trabalhar, para tentar ter um torneio, por exemplo, de curling, que não é uma modalidade muito usual, e estando perto da Serra podemos usufruir disso. A nível da ação social, logo no primeiro mandato criámos a bolsa social de apoio psicológico para colmatar algumas falhas que havia na Universidade. Queremos aprofundar esse apoio e acrescentar mais clínicas parceiras do programa, como foi feito há três semanas, de forma a ter uma maior oferta para os estudantes. E claro, todo o trabalho da Associação Académica, em conjunto com lojas e associações da região, para divulgar a região e fazer com que os estudantes que vêm estudar para a Covilhã se fixem através dessas associações ou empresas e possam ter o primeiro contacto com o mundo do trabalho.

P – Quais são as maiores preocupações ou dificuldades da Associação Académica da UBI?
R – Isto pode ser um pouco contraproducente, mas somos 29 membros na AAUBI. Devemos ser das Associações Académicas mais pequenas do país. Atualmente, estamos em período de revisão estatuária. Um dos meus objetivos é também deixar a AAUBI com mais membros aquando da minha saída, uma associação maior porque para o volume de atividades que realizamos são poucas pessoas. Obviamente que sendo estudantes, temos também de cumprir com as nossas obrigações letivas, a nossa vida pessoal e acabamos por ter de conciliar tudo isso. Às vezes, temos de deixar algumas coisas para trás, mas quanta mais ajuda melhor. E é isso que pretendemos, queremos duplicar o número de efetivos da associação. Também a parte financeira, foi uma gestão que nos foi deixada, temos vindo a cumprir apesar de, por vezes, não ser fácil. Temos de deixar de fazer coisas que queríamos fazer, mas vamos conseguindo gerir.

P – Que preocupações é que os alunos da UBI têm mostrado?
R – Fazendo um paralelismo com o que se tem passado a nível nacional, preocupa-nos a distinção que existe entre o interior do país e o litoral. Cada vez é mais notória e isto pode ditar muito do futuro das instituições de ensino superior do interior. A UBI registou uma redução de entrada de alunos no ano letivo de 2025/2026 e nota-se diferença, uma vez que vinha com sucessivos aumentos e até tinha atingido o pico de entradas no ano anterior. Este ano tem uma quebra de ingressos e achamos que estas políticas, se continuarem a levar o mesmo rumo, poderão ser prejudiciais para o ensino superior no interior do país.

P – Para o próximo ano letivo foi aprovado um aumento generalizado de cinco por cento de vagas em todas as instituições de ensino superior do país. Como olham para esta medida?
R – Temos duas visões. Concordamos que os alunos devem ir para onde querem, pelo que o aumento de vagas deve ser feito de forma igual para todas as instituições de ensino superior. Aquilo que nos diferencia, por exemplo, em concreto na UBI, é a existência de alguns cursos “chavão”, como é exemplo Medicina, Engenharia Aeronáutica… Temos cursos que têm peso e uma grande percentagem dos alunos globais da nossa universidade. Grande parte dos nossos estudantes de Medicina são do Norte do país e este aumento de vagas pode fazer com que muitos, se calhar, se candidatem para a Covilhã e fiquem em casa. No que toca à Ação Social e Bolsas, a proposta apresentada pelo ministro é que as bolsas sejam proporcionais ao gasto, seja ao nível de propinas, alojamento e comida em cada cidade. Obviamente que estudar no interior continua a ser mais barato que no litoral, mas no meio de tanta desvantagem encontrada no interior, o facto do custo de vida ser mais baixo pode ser um ponto atrativo para os estudantes virem estudar para estas regiões. Implementar uma medida que defina que o valor das bolsas varia consoante o custo de vida da cidade onde o aluno vai estudar irá baixar o valor das bolsas dadas no interior do país e aumentar no litoral, concentrando mais pessoas no litoral prejudicando, uma vez mais, o interior.

P – Qual é a expetativa para o mandato que começa nos próximos dias, tendo em conta que a tomada de posse está agendada para sexta-feira?
R – A par do que foram os últimos dois mandatos, esperemos que seja um mandato de proximidade – tanto aos estudantes, como aos nossos núcleos. Esperamos voltar a planear todos os eventos que a Associação Académica tem, com pés e cabeça, e nisso a Universidade da Beira Interior e a Câmara Municipal da Covilhã são dois aliados muito fortes. Queremos que as ligações continuem como estão e acolher mais eventos internacionais desportivos ou de outra área, para continuar a colocar o nome da Covilhã e da Cova da Beira em todo o país.

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