Cara a Cara

«Este livro é uma espécie de declaração de amor à cidade, uma forma diferente de ver a Guarda»

Duarte Martins
Escrito por ointerior

P – Como é que a escrita e a poesia apareceram na sua vida?
R – Apareceu de forma espontânea. Um dia dei por mim a escrever poesia e, entretanto, no secundário também fui incentivado por uma professora de Português, e em casa, a continuar a escrita. As minhas irmãs também liam bastante e é uma forma de dizer aquilo que nem sempre é fácil falar.

P – Porquê o título “Ward, a cidade que nos (a)Guarda” e o que podemos encontrar nesta obra?
R – “Ward” foi uma palavra para “Guarda” que seria germânica, ou eventualmente algo-saxónica. E “A cidade que nos (a)Guarda”, uma vez que o livro invoca um conjunto de monumentos que nos permitem fazer um roteiro e assim a cidade está a aguardar pelas pessoas, no sentido em que façamos esse passeio para descobrir mais sobre esses mesmos monumentos e sobre a história da Guarda. Os monumentos foram uma escolha pessoal, não tiveram critérios estéticos ou outros, são os que, para mim, são os mais icónicos e os que nos dizem mais. Quem quiser fazer o roteiro sugerido no livro pode começar na estação dos caminhos-de-ferro e partir à descoberta de alguns dos encantos da cidade.

P – Que monumentos escolheu? É possível ir acompanhando o livro à medida que vamos conhecendo os locais descritos?
R – Era impensável não colocar, por exemplo, a Sé Catedral, um dos grandes, senão o grande monumento, que embeleza a nossa cidade. O centro, a Igreja da Misericórdia, o Hotel Turismo, o Paço Episcopal, o próprio Chafariz da Alameda, envolvendo a parte do Antigo Sanatório Sousa Martins, sem esquecer o Convento de São Francisco e mais alguns monumentos que podem levar as pessoas a andar pela cidade e descobrir curiosidades, como a “gárgula do polícia com chapéu”, na Sé, por exemplo. Eu acho perfeitamente possível que os leitores acompanhem o livro num passeio pela cidade.

P – Quem siga o roteiro e visite todos os monumentos evidenciados fica a conhecer mais da história da Guarda?
R – Exatamente. A ideia também é essa, dar a conhecer um pouco da história da cidade – desde as muralhas, saber que a cidade tinha mais portas na parte antiga que já não existem, mas podemos tentar descobrir onde é o sítio exato. Descobri, por exemplo, que na rua contígua ao Solar de Alarcão tem um relógio de sol na parede, e creio que as pessoas passam por ali e nem reparam nesse pormenor.

P – Este livro pode ser lido pelos mais novos até aos mais velhos, tanto pelos guardenses, como por quem não é da Guarda?
R – A ideia é mesmo essa, por isso é que fiz questão que o livro tivesse fotografias, para que quem não é de cá consiga localizar os monumentos que estão mais escondidos.

P – O que o inspirou a escrever este livro?
R – Foi um desafio lançado por uma amiga. Um dia enviei-lhe um dos poemas incluídos no livro e ela sugeriu-me esta ideia, que implicava fazer uma descrição dos monumentos em poema. Mas nem tudo são propriamente monumentos, caso da Praça Luís de Camões. Foram dois anos de investigação bastante intensa para descobrir mais algum pormenor sobre os monumentos que eu pudesse introduzir na poesia, e ao mesmo tempo foi um trabalho árduo para que não houvesse erros crassos a nível histórico. É uma espécie de declaração de amor à cidade, é uma forma diferente de a ver. E que eu saiba não existem livros semelhantes a este. É também uma forma de por as pessoas a visitar a própria cidade, ir dando umas voltas e descobrir novas coisas sobre os monumentos da Guarda.

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DADOS DE PERFIL: 

DUARTE MARTINS

Autor do livro “Ward, a cidade que nos (a)Guarda”

Idade: 44 anos

Naturalidade: Guarda

Profissão: Assistente operacional na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda)

Currículo (resumido): Frequentou a Escola Secundário Afonso de Albuquerque, licenciou-se em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2004), foi carteiro distribuidor, sapador florestal e atualmente é assistente operacional da BMEL

Livro preferido: “Os Maias”, de Eça de Queirós, e “Clepsidra”, de Camilo Pessanha

Filme preferido: “A Missão”, de Roland Joffé, e “Forest Gump”, de Robert Zemeckis

Hobbies: Caminhar, escrever, ouvir música, viajar, ir ao cinema, teatro e exposições

Sobre o autor

ointerior

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