P – Produziu a série “A Serra do Pisco: A História e os Lugares”, o que é retratado e que série é esta?
R – Na verdade, ainda está em produção e só foram divulgados dois episódios, mas a série completa deverá ter cerca de 20. Doze já estão escritos e quatro estão terminados.
Neste caso, o título é bastante revelador em relação ao conteúdo, pois a série fala precisamente sobre a história e os lugares da Serra do Pisco. Mas, quando digo a história, estou a referir-me a um conjunto de muitos momentos, feitos de histórias, lendas, acontecimentos e curiosidades. E os lugares são aldeias, ou ruínas de antigas aldeias, da Serra do Pisco, mas também espaços particulares na própria Serra. É uma série que pretende dar a conhecer a Serra do Pisco e zona envolvente, mas também contar uma história. Em algumas situações a ligação entre o que está a ser mostrado e a Serra do Pisco não é óbvia, mas, ao utilizar o formato de série, é possível explorar um pouco melhor os temas e apresentar o contexto, muitas vezes com eventos que aconteceram noutros lugares, mas que também tiveram impacto nas pessoas que viviam na Serra do Pisco. Esta serra também é conhecida como Serra de Almançor e, menos frequentemente, como Serra de Carapito. Assim, o nome Serra de Almançor também é explorado e, pela ligação a Carapito, concelho de Aguiar da Beira, esta aldeia assume igualmente um papel protagonista na série.
P – Onde surgiu a ideia de criar esta série e como foi o processo desde a idealização até à concretização?
R – A ideia surgiu de uma conversa com a minha mãe, em fevereiro de 2023, em que ela, por acaso, me relembrou de uma lenda associada à imagem de Nossa Senhora da Purificação, que é a padroeira de Carapito. Apesar de ser uma lenda simples, certamente partilhada por outros santos, é muito curiosa e rapidamente imaginei os possíveis acontecimentos, há muitos séculos, e quis transportá-los para o formato vídeo. Foi esta a faísca que deu origem à série. Depois, comecei a reunir os vários tópicos que gostaria de discutir e planeei três episódios daquilo que, pensava eu na altura, seria uma minissérie. Só que quanto mais investigava, mais tópicos surgiam.
Produzi um primeiro episódio, com cerca de 50 minutos, e fiz uma exibição pública em Carapito, no Natal de 2023, onde recolhi diversas sugestões de melhoramento – uma delas para reduzir a duração. Inicialmente, dividi-o em dois, mas pouco depois encontrei novas informações, até então desconhecidas, e passei parte de 2024 a reescrever todos os episódios já planeados, o que fez com que a minissérie se transformasse numa série. O primeiro episódio reformulado estreou no dia 21 de março de 2025.
P – Qual é a sua relação com a Serra do Pisco?
R – É uma relação de muita proximidade. Carapito é a minha aldeia natal. Desde pequeno que percorro vários dos seus caminhos e há muitos anos que recolho fotografias e vídeos e de vários locais no interior da Serra. É um elemento sempre presente na vida dos carapitenses e que é impossível de ignorar, pois estende-se por todo o horizonte, de nascente a sul. Este verão, uma grande parte da floresta e do mato da Serra foi consumida num grande incêndio, o que mudou mais uma vez a sua paisagem. Com esta série, pretendo também preservar a sua paisagem antes deste momento, uma vez que agora irá demorar muitos anos até recuperar.
P – Durante a produção, o que mais o fascinou na Serra do Pisco e o que o surpreendeu?
R – O que mais me fascinou foi perceber que alguns personagens importantes da História de Portugal têm uma ligação muito estreita com a região da Serra do Pisco, como Diogo Lopes Pacheco, que foi senhor de Carapito (entre outras localidades), mas também terá sido um dos assassinos de Inês de Castro. A principal surpresa foi a descoberta de uma possível origem para o nome, totalmente inesperada para mim.
P – O que pode esta série trazer à Serra do Pisco e região? Poderá ser uma porta para que mais pessoas a conheçam e visitem?
R – É mais uma forma de mostrar a Serra e a região envolvente, mas tudo depende da divulgação feita por mim, por outras pessoas, pela comunicação social – com destaque, desde já, para O INTERIOR e Rádio Altitude –, Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, CIM’s e pelo Turismo do Centro de Portugal. Mas, sem dúvida, que pode ser uma porta para que mais pessoas queiram conhecer e visitar a região. Exemplo de que as pessoas estão sempre à procura de novas experiências e de novos locais para visitar é o impacto que teve, há poucos anos, a colocção de um “simples” baloiço na freguesia de Carapito. O Baloiço da Açude recebe inúmeras visitas, muitas delas de pessoas que viajaram dezenas a centenas de quilómetros só para isso. Isto mostra que, às vezes, só é preciso ter a fotografia certa ou fazer a divulgação adequada.
P – Quem mais está envolvido neste projeto, e onde poderá ser vista esta série?
R – Apesar de ter produção amadora e um orçamento muito reduzido, a série envolve um conjunto de pessoas com um grande conhecimento sobre a região. A narração é do professor Tó-Zé Paixão, outro carapitense com um longo historial de investigação e dedicação ao património local. Conta também com a participação de Fernando Santos Costa, de Trancoso, um investigador de história e etnografia com um conhecimento muito vasto sobre um grande número de localidades da região. Colabora ainda o Dr. António Francisco Caseiro Marques, um carapitense com vasta obra publicada, muita dela referente a Carapito. Além destas colaborações, há outras participações mais esporádicas na recolha e divulgação de informação. Tive igualmente a sorte de poder consultar os livros publicados por outros carapitenses, como o professor Carlos Paixão ou António do Nascimento Almeida, que contêm informação muito valiosa sobre Carapito e vários eventos relacionados com a Serra do Pisco. Mas, como disse no início, a série ainda está em produção e ainda espero poder contar com a participação de mais pessoas. A série pode ser vista no YouTube, no canal do jornal “Caruspinus” (www.youtube.com/@CaruspinusTv), onde ainda este mês será divulgado o terceiro episódio.
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PERFIL:
Nome: Álvaro Caseiro Almeida
Idade: 41 anos
Naturalidade: Carapito (Aguiar da Beira)
Currículo (resumido): Mestre em Física e Doutorado em Engenharia Física, pela Universidade de Aveiro; Coordenador técnico do Planetário e Centro de Visitantes do Observatório Europeu do Sul, na Alemanha; Diretor do jornal “Caruspinus”, publicação do Clube Cultural e Recreativo de Carapito.
Profissão: Coordenador Técnico
Filme favorito: “Colisão” (2004)
Livro favorito: “Maldito Minério”, de A. F. Caseiro Marques



