P – Como surgiu a ideia de fundar a Confraria da Cereja de Portugal?
R – Nasceu por já terem sido criadas outras confrarias, principalmente a da pêra rocha. A Confraria da Cereja é a segunda de fruta a aparecer no país. Decidimos que haveria interesse em fomentarmos o consumo da cereja e propagandear novas plantações no país, porque não tem havido um esforço muito grande de todos os produtores para poderem desenvolver a sua venda. Acho que a Confraria pode contribuir bastante, incentivando os próprios agricultores, quer no aspecto de novas plantações, quer no alertar para a necessidade da cereja em Portugal. Para o consumo interno ainda nos falta cerca de 20 por cento. Este ano até se importou mais que isso, porque houve muita falta. Estamos também a pensar fazer colóquios e associarmo-nos a outras regiões para podermos desenvolver tudo o que diga respeito à cereja, na gastronomia, nos doces, nas compotas, nos licores, etc… E que, neste momento, ainda estão por desenvolver.
P – Os principais projectos que se propõem realizar destinam-se a uma maior divulgação do fruto?
R – Sim, porque é um fruto de que toda a gente gosta. Ainda não encontrei ninguém que não gostasse de cereja, é um fruto fresco, apetecível, tem uma cor agradável e as pessoas, de uma maneira geral, gostam de ver, além de comer claro.
P – Quantos elementos tem a Confraria?
R – Neste momento, ainda somos poucos, só os fundadores e os restantes membros dos órgãos sociais. Mas estamos a pensar fazer, ainda este ano, o segundo capítulo – o primeiro foi a tomada de posse – para a entronização de alguns confrades e confreiras. Isto vai demorar mais algum tempo, porque, a nível dos trajes, ainda só temos umas amostras e, provavelmente, vão sofrer algumas alterações, principalmente no chapéu. A partir daí vamos fazer alguns convites, sobretudo a agricultores que produzam cereja. Também irão fazer parte alguns técnicos que se tenham dedicado à sua cultura.
P – É vossa intenção convidar figuras públicas para confrades?
R – Sim, e até há algumas que se interessam pela cereja e são produtores. As três Câmaras da Cova da Beira – Belmonte, Covilhã e Fundão – também terão que ser convidadas. De resto, esta é uma lista que ainda não está elaborada e, por isso, não queria falar muito dela, pois ainda terá que ser discutida.
P – Pretendem fomentar o surgimento de núcleos noutros pontos do país?
R – Sim, principalmente em Resende, que já aderiu e está entusiasmada em fazer parte da Confraria. Outro caso é Alenquer, que é uma região em que a cereja está a perder peso e já começa a haver poucos pomares. Penso que seria uma zona a valorizar, uma vez que produz uma variedade de cereja que não existe aqui – a francesinha – e que ainda tem alguma aceitação. Outros locais onde poderão surgir núcleos são Proença-a-Nova, Portalegre, Alfândega da Fé e Lamego.
P – Já há um local definido para a instalação da sede da Confraria?
R – Ainda não. Tanto poderá ser no concelho de Belmonte, como na Covilhã ou no Fundão. Estamos a ver se fazemos uma parceria com a Confraria do Azeite para as sedes ficarem juntas.
P – A cereja é um fruto que, de alguma forma, pode estar ameaçado? Precisa de ser protegido?
R – Esse problema não se coloca. A cerejeira tem que ser tratada como qualquer outra árvore de fruto, mas, por enquanto, não está ameaçada.
P – Mas este ano o mau tempo fez estragos na produção da cereja. Teme que possa voltar a suceder nos próximos anos?
R – A quebra da produção aconteceu porque choveu muito. Houve muita cereja que começou a fendilhar e não pôde ser comercializada, mas a qualidade não está em causa. No entanto, penso que este foi um caso atípico e que no próximo ano regressará a normalidade.


