Sociedade

57 anos de Centro Cultural da Guarda

Escrito por Luís Martins

Coletividade conta atualmente com cerca de 400 alunos e elementos nos seus diferentes grupos musicais

Aos 57 anos, o Centro Cultural da Guarda quer apenas continuar «a manter viva a casa com a qualidade que nos é reconhecida», afirma Albino Bárbara, presidente da direção de uma das coletividades mais antigas da cidade.

A instituição esteve em festa no domingo para assinalar mais um aniversário e mostrou que, apesar da idade, continua a ter muitos motivos para continuar em atividade. Durante mais de uma hora passaram pelo palco do auditório do Paço da Cultura todas as valências, do ballet às diferentes classes de instrumentos lecionadas, passando pelo conjunto “5 Estrelas”, o rancho folclórico, o Conjunto Rosinha e o Orfeão. «Foi um espetáculo bonito daquilo que fazemos nesta casa», adiantou o responsável a O INTERIOR no final da sessão. Albino Bárbara, que se vai recandidatar a um novo mandato nas eleições previstas para dezembro, destaca também que o Centro Cultural tem cada vez mais jovens nas suas fileiras: «Não somos afetados pelo despovoamento e envelhecimento da região. Tem havido alguma renovação e atualmente temos mesmo seis pares de jovens no rancho. Há, inclusive, passagens de testemunho entre avós e netos. No fundo, somos a segunda casa para muita gente», refere o dirigente.

Albino Bárbara, que cumpre o terceiro mandato, confessa que «deve ser difícil em toda a região Centro haver uma coletividade com tanta envolvência e diversidade numa única associação». Atualmente, o Centro Cultural envolve cerca de 400 jovens e menos jovens nas classes de instrumentos e ballet, bem como nos diferentes grupos musicais que acolhe. «Deveremos ser uma das maiores associações da região Centro», vaticina o presidente da direção, que também não esquece o papel de embaixador que a coletividade assume cada vez que atua pelo país. Foi esta dinâmica que Carlos Chaves Monteiro, presidente do município elogiou na sua intervenção no Paço da Cultura, tendo desafiado o Centro Cultural a ser «parte ativa» na candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura, o «grande desafio» da cidade nos próximos anos. «Ninguém está excluído desta tarefa, todos são decisivos para fazermos a diferença e afirmarmos a nossa cidade no contexto europeu», disse o autarca.

Também presente na cerimónia, naquela que foi a sua primeira deslocação à cidade natal enquanto diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues lembrou que foi sócio do Centro Cultural e até diretor em 1984. Numa intervenção carregada de memórias, o responsável recordou o papel da instituição na dinamização cultural da cidade e o seu contributo para o nascimento do grupo de teatro Aquilo, no início da década de 80. E também para o aparecimento de músicos e atores, como José Neves e dele próprio. A jornada incluiu ainda a celebração de um protocolo de colaboração com o Instituto Politécnico da Guarda para a investigação nas áreas da cultura, do folclore e da recolhe etnográfica. O Centro Cultural da Guarda foi fundado a 17 de novembro de 1962 por Vergílio de Carvalho para promover «a educação, a arte e a cultura» na cidade e na região.

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