Opinião de Diana Santos: Do querer ao fazer

Escrito por Diana Santos

A leitura do relatório de contas do município da Guarda permite uma conclusão que dificilmente pode ser ignorada: existe um desfasamento consistente entre aquilo que é anunciado e aquilo que é efetivamente concretizado. Este desfasamento resulta da convergência de vários sinais que apontam para dificuldades reais de execução, pressão financeira crescente e uma alocação de recursos que levanta questões legítimas.
Começando pelo essencial, a execução do investimento fica aquém do previsto. A despesa de capital situou-se nos 58,4% e o Plano Plurianual de Investimentos registou uma execução de 56,06%. Estes números significam que uma parte relevante dos projetos planeados não foi concluída dentro do exercício, permanecendo em curso, adiados ou por concretizar. Mesmo admitindo condicionamentos externos à execução, como a atraso da receção das verbas do PRR, o certo é que vemos obras de outras entidades, com o mesmo tipo de financiamento, avançar e as do Município parecem paradas, o que levanta dúvidas e preocupações sobre a capacidade da autarquia transformar planeamento em resultados visíveis no território.
No plano financeiro, o município encerrou o ano com um resultado líquido negativo de 304 mil euros, acompanhado por uma redução de 26,3% na rubrica de caixa e depósitos, o que corresponde a uma diminuição superior a 2,5 milhões de euros em liquidez. Esta evolução negativa não é, por si só, sinónimo de desequilíbrio estrutural, mas constitui um sinal de fragilidade que merece atenção, sobretudo quando conjugado com a dependência significativa de financiamento externo para a concretização de investimentos.
Ao mesmo tempo, verifica-se um crescimento expressivo da despesa com pessoal, que aumentou 12,5%, atingindo 20,3 milhões de euros, representando 34,3% da despesa total paga. Este dado é particularmente preocupante e torna o orçamento mais rígido, reduzindo a margem disponível para investimento, especialmente quando se observa que áreas como a educação enfrentam carências reconhecidas no próprio relatório, nomeadamente ao nível da requalificação de infraestruturas escolares. Outro aspeto a ter em atenção é que dos 865 trabalhadores do município, 59 não estão em efetividade de funções por motivos de licenças sem remuneração, mobilidade ou cedência de interesse público, o que significa que dezenas de funcionários preferem estar noutras entidades ou em licença, o que sugere um clima organizacional desmotivador.
O investimento no ensino não superior registou uma variação negativa significativa, próxima dos 45,88% no valor pago, num contexto em que o parque escolar apresenta necessidades de intervenção. Também na cultura se verifica uma redução de 17,22% nas despesas pagas, o que pode ter impacto na continuidade e densidade da oferta cultural local.
No que diz respeito ao endividamento, a dívida associada à Águas do Vale do Tejo mantém um peso significativo, enquanto o passivo total aumentou cerca de 12,12%, atingindo 64,4 milhões de euros. Acresce a contratação de novo financiamento para fazer face a obrigações como expropriações, o que demonstra que, apesar do discurso de estabilização, continuam a existir necessidades de recurso a crédito.
Perante este conjunto de indicadores, o debate político deve centrar-se menos na justificação e mais na avaliação concreta das opções tomadas. A invocação recorrente de constrangimentos externos pode explicar parte das dificuldades, mas não substitui a necessidade de definir prioridades claras e melhorar os níveis de execução. Do mesmo modo, o crescimento da estrutura interna deve ser acompanhado por resultados proporcionais na qualidade dos serviços prestados.
O relatório de contas apresentado revela-nos um modelo de gestão sob pressão, com sinais de desequilíbrio que não devem ser desvalorizados. A questão central não é saber se existem dificuldades, mas sim se as respostas adotadas estão à altura dos desafios. E, quanto a respostas, parece que, mais uma vez, foram substituídas pelo já conhecido discurso do passa-culpas.

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Diana Santos

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1 comentário

  • Daqui onde me encontro permita vos dizer o seguinte
    Eleições são como comer tremoços depois de comer fica apenas a casca
    Numa cidade como a nossa uma vez por todas temos de fazer política todos os dias da semana e não apenas em época de eleições
    Numa cidade como a nossa onde as instituições têm um papel demasiado importante e ao mesmo tempo de influência dado que as mesmas continuam ligadas e movidas por interesses
    Custa aceitar que todas elas como medo de perder certos benefícios vivam acorrentadas numa aparência infinita e sem limites
    Quando finalmente nos liberamos de algo que se habateu nesta cidade o Control silencioso com que nas costas e pela calada se procura defender interesses que apenas prendem certas instituições sem que se possa olhar a cidade como um todo um qualquer cidadão fazendo parte do mesmo município
    Enquanto este estado de cosas assim permanecer dificilmente esta cidade conseguira sair do abismo onde mergulhou
    Perdemos anos de investimento perdemos anos de investimento perdemos anos de busca de soluções capazes de fixar o que quer que seja
    Daqui a outras eleições os problemas hoje levantamos serão os mesmos discutidos
    E assim se perde oportunidades atrás de oportunidades
    Não estou aqui para cortar mas para alertar e poder com a minha experiência dar um sentido diferente a esta cidade e seus habitantes
    Amo demais a cidade para a ver mergulhar num abismo de ideias num vazio de ação capaz de transformar e colocar a cidade no caminho que merece
    Não avancei a camara nas últimas eleições porque desde cedo me dei conta do poder de influência com que as instituições dominam o poder local e por conseguinte as pessoas com peso nesta cidade
    Fazer política é acima de tudo servir
    E nunca ser servido
    Vivemos assim num tempo perdido
    Algo que interessa a muita boa gente
    No fundo se esquece com politicas demagogas as suas gentes
    Enraizada num passado sem que o presente possa acontecer e assim um nevoeiro num futuro ao virar da esquina nos espera e nos impede de sonhar
    Amo esta cidade quero o melhor para as suas gentes
    Me custa aceitar um olhar indiferente
    Somos e tempos aquilo que queremos
    Hoje 25 de abril arrancado em Lisboa também o interior reclama o mesmo sonho
    Oportunidades direitos iguais investimento do governo central capaz de fixar as duas gentes
    Uma cidade como a nossa reclama no silêncio, olhem para nós
    Também somos gente