Cultura

Festival “Ocupar a Velga” toma conta de Valezim (Seia) a partir de segunda-feira

Escrito por ointerior

A aldeia de Valezim, no concelho de Seia, volta a ser o cenário do festival “Ocupar a Velga”, de 3 a 8 de agosto, com espetáculos de teatro, dança, performance, cinema, oficinas, sessões de leitura, conversas e convívio.
O evento, que já vai na quinta edição, faz este ano uma «abordagem mais leve e festiva» das temáticas que o têm norteado, como comunidade, memória, identidade, território e participação. O festival é organizado pela Produção D’Fusão e arranca na próxima segunda-feira com o “MiniLab”, uma oficina de artes performativas orientada por Margarida Mestre para crianças e jovens dos 6 aos 13 anos. Sob o mote “Em Valezim Plim! Acontece um lugar”, os participantes são desafiados a olhar para a aldeia «como matéria de construção e invenção». Até 6 de agosto serão recolhidas histórias e memórias de Valezim para a criação artística “Novelga”, de Catarina Requeijo e Manuela Pedroso, que tem estreia prevista para 2027.
No teatro, Sara Inês Gigante apresentará o espetáculo “Popular” no dia 5 de agosto. Trata-se de uma criação que «cruza autoficção, humor e reflexão sobre os conceitos de popularidade, cultura de massas e participação coletiva». No dia seguinte vai subir ao palco “Mulher Enciclopédia”, de Poliana Tuchia e Keli Freitas, sobre «memórias familiares, silêncio e resistência através do humor, da ironia e da desobediência».
Para 7 de agosto está agendada a estreia da performance-percurso “Descrição de uma paisagem”, de Mónica Calle e do Coro das Mulheres da Fábrica. Trata-se de uma criação inédita para o “Ocupar a Velga”, em que a encenadora e mais de 30 mulheres apresentam «uma experiência coletiva (…), questionando o que nos une e como podemos encontrar formas de resistência através dos corpos, das vozes e da memória». No dia 8 de agosto serão exibidas curtas-metragens infantis, numa parceria com o Festival Play. O festival termina nesse dia com o espetáculo “Também se matam cavalos”, de Francisco Thiago Cavalcanti & Um cavalo disse mamãe, que «explora a liberdade, a resistência e os limites entre loucura e imaginação».
Durante a semana haverá uma tertúlia dedicada à biodiversidade da Serra da Estrela, em parceria com o CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens), e uma sessão de leitura com Maria Beatriz Seabra. A organização recorda que a velga é, na tradição oral, o nome dado aos campos nas encostas da Serra da Estrela onde se cultivava batata, milho e centeio. «Inspirado no próprio território e na vontade de o ocupar e de o aproximar das artes performativas, nasceu o festival “Ocupar a Velga”, para contrariar a ideia de que a oferta cultural de qualidade está reservada aos grandes centros urbanos». A atividade é financiada pela Direção Geral das Artes e tem o apoio do BPI | Fundação La Caixa, Câmara de Seia e Junta de Freguesia de Valezim.

Sobre o autor

ointerior

Deixe comentário