Bilhete Postal de Diogo Cabrita: Violento e radical

Escrito por Diogo Cabrita

No jornalismo e na opinião persistente de comentadores, a palavra radical anda muito mal distribuída.
Radical está desenhado para o discurso de alguns, para adjetivar os exageros verbais, as opiniões com intensidade, as ideias que abrem novas janelas à temática vigente. Para mim, radical é dizer que o BES está sólido e ele falir.
Para mim, radical é fechar centrais energéticas de carvão e comprar a energia de centrais similares em Espanha.
Tenho também por radical ter dificuldades em energia e não equacionar uma central nuclear.
Radical é querer um SNS de animais de estimação. Radical é não falar do horror produzido na paisagem pelas energias alternativas.
Parece-me complexo preferir animais a pessoas. Parece-me radical vestir como crianças os animais de estimação.
Radical para mim é fechar instituições com décadas ou mesmo séculos. Radical é não avaliar as consequências de decisões tomadas.
Total radicalismo foi a medida de manifestação de interesse e apagamento do SEF. Obra-prima do radicalismo ineficiente foi a construção dos Tribunais Administrativos e Fiscais que decidem a décadas, prejudicando em milhões de euros Portugal.
Radicalismo é o estado do sistema prisional português. Radicalismo é a greve de anos que fazem os guardas prisionais mantendo salários.
O termo está profundamente mal utilizado e é uma forma de narrativa que reduz a eficiência da palavra.
Perto de todos estes milhões Ventura é um menino de coro.

Sobre o autor

Diogo Cabrita

Deixe comentário