As instituições mudaram de sólidas a líquidas com nos diz Zygmunt Bauman (Polónia,1925-2015) a propósito da liquefação, da importância dos conceitos e da política e do próprio Estado. A modernidade é líquida, pois flui, perde-se entre os dedos, muda na constante passagem da água dos rios debaixo do observador na ponte. A força moral e ética do poder estava sempre presente nas figuras emergentes de carreiras longas, colocadas em instituições históricas, que delimitavam fronteiras, delimitavam o bom-senso, impunham-se pela coerência e a assertividade.
Ao reduzir as instituições, entregá-las a gente de percursos dúbios, colocamos areia na credibilidade. Aqui se inclui a judicialização da política, a sujidade das vestes que as oposições e a governação escolhem como caminho. Não importa o assunto, o ícone é o insulto, a perfídia, a acusação.
O que mudou agora?
A importância da banalidade, da existência criativa de momentos virais é o novo sublime. Sol LeWitt (EUA, 1928-2007) cunhou a arte conceptual, o momento em que descrever a arte era mais que a própria arte, mas agora a peça e as suas visualizações dão-lhe a importância. O sublime intelectual derreteu-se na comédia da boçalidade.
Domingo Hernández Sánchez (Espanha, 1970- ) analisou a arte e antecipou a fragilidade da fronteira entre o cómico e o desejado sublime. Estas constatações que nos chegam da análise da arte colocam-se agora na fronteira do político. Viral é o objetivo, viral é a banalização da boçalidade, mas podendo ser sublime também, só que não o tem sido.


