O Vale Carapito, no concelho do Sabugal, foi oficialmente reconhecido como Área Protegida Privada (APP), sendo o quinto espaço natural a obter esse estatuto de conservação em Portugal.
«A classificação do Vale Carapito como Área Protegida Privada demonstra que o “rewilding” está a afirmar-se como uma ferramenta credível e eficaz para a recuperação da natureza em Portugal», afirmou Pedro Prata, diretor executivo da Rewilding Portugal, citado num comunicado enviado a O INTERIOR. O Vale Carapito situa-se na freguesia de Vilar Maior e vai passar a integrar a Rede Nacional de Áreas Protegidas. Para aquele responsável, «este reconhecimento deixa-nos naturalmente satisfeitos, mas também reforça a nossa ambição. Queremos que mais áreas “rewilding” possam seguir este caminho, aumentando a superfície de território protegido e em restauro ecológico».
A organização não governamental (ONG) ambiental Rewilding Portugal, sediada na Guarda. acrescentou que este estatuto vai assegurar «a preservação dos valores naturais do Vale Carapito a longo prazo». O Vale Carapito foi adquirido em 2020, pela Rewilding Portugal, para «demonstrar no terreno o potencial do “rewilding” para recuperar ecossistemas, restaurar processos naturais e promover o regresso da vida selvagem à região». Atualmente, a área classificada como APP tem 48 hectares contínuos, inseridos na Zona Especial de Conservação (ZEC) da Malcata e numa zona de elevada importância para a conectividade ecológica do Grande Vale do Côa. «O Vale Carapito possui registos de 172 plantas, 253 insetos e 147 vertebrados, incluindo espécies de elevado valor de conservação como é o caso do abutre-preto, do milhafre-real, da lontra e de várias espécies de morcegos protegidos», adianta a Rewilding Portugal.
Segundo esta ONG ambiental, a classificação vai garantir que «a vocação de conservação da área se mantém no futuro, mesmo em caso de transmissão da propriedade, promovendo uma gestão sustentável compatível com atividades como o ecoturismo ou a agricultura sustentável». A promoção da regeneração natural da vegetação, a recuperação de habitats ribeirinhos, a criação e ampliação de charcos, a introdução de cavalos Sorraia para recuperar processos naturais de herbivoria, a monitorização da biodiversidade e a eliminação de atividades extrativas são as ações já realizadas. «Este é um dos princípios centrais do rewilding: devolver espaço à natureza para que esta possa recuperar a sua capacidade de autorregulação, tornando as paisagens mais capazes de responder às alterações climáticas, aos incêndios rurais e à perda de biodiversidade», é referido.
Reconhecida pelo Estado, a Área Protegida Privada é criada por iniciativa voluntária dos proprietários com o objetivo de garantir a proteção da biodiversidade, da fauna, da flora e do património geológico, sem que a propriedade deixe de ser privada. A classificação vai produzir efeitos legais após a assinatura do contrato de gestão com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e a sua posterior publicação em Diário da República.



