Maria Martins é um caso que não confirma a regra. Quase a completar 26 anos, que vai fazer em junho, a artista e compositora regressou à cidade natal há dois meses, praticamente dez anos depois de ter saído para estudar na Covilhã e em Southampton (Inglaterra).
A guardense é atualmente professora de canto e piano no Centro Cultural. «A saudade da família, dos amigos e da qualidade de vida foi mais forte, porque, às vezes, o dinheiro não é tudo», justifica, acrescentando que uma cidade como a Guarda «é incrível se quisermos qualidade de vida». Aqui, juntou também o útil ao agradável ao trabalhar na sua área de formação. «Não havia uma professora de canto para música pop, só canto clássico, e vi que que devia haver também um foco, uma partilha e dar esta oportunidade aos jovens, pelo que optei por regressar», afirma. Mesmo assim, voltar não foi fácil. Maria Martins teve dúvidas. Em Southampton, onde residiu desde os 19 anos e durante seis anos, estudou canto e voz, variante música pop/rock, na Solent University, fez o mestrado em Educação Musical na Southampton University e deu aulas de canto e piano, tendo chegado a ter mais de 30 alunos.
«Tive dúvidas, obviamente, já era totalmente independente, tinha a minha casa e voltar para a Guarda, onde comecei tudo, foi um bocado assustador ter de recomeçar do zero, mas decidi correr o risco», admite. Maria Martins adianta que ainda é cedo para um balanço, mas garante que se está a sentir «muito bem, muito feliz, porque as oportunidades estão a aparecer». A artista diz que «há muita coisa a acontecer, estou a conhecer pessoas incríveis, vou formar uma banda com uns amigos e lançar novas músicas, um EP, este ano». A jovem confessa que o regresso à Guarda está «a ser uma aventura», mas a realidade que encontrou superou as expetativas. «A cidade mudou, sim senhora, acho que está mais preparada para receber os jovens. Parece-me que há muita gente a regressar, no entanto, a Guarda ainda poderia ser mais dinâmica, com mais oportunidades e espaços, mesmo artísticos, para trazer as pessoas para a rua, porque, com as tecnologias, as pessoas fecham-se muito em casa», lamenta.
Já o Teatro Municipal da Guarda é «um dos pontos fortes» da cidade mais alta porque oferece «cultura e artistas variados de renome do país e do mundo, o que não havia quando era mais nova». No entanto, Maria Martins refere que a Guarda precisa de se afirmar mais na criação de emprego para os jovens e apostar mais na cultura.




