ESPECIAL 26 ANOS - O INTERIOR

26 anos depois, como olham para a cidade os jovens que nasceram com O Interior? – por Isabel Saraiva

Escrito por ointerior

Isabel Saraiva é mais uma jovem que deixou a Guarda após o secundário e não voltou.
Licenciou-se em Gestão na Universidade da Beira Interior, fez o mestrado em Lisboa e por lá ficou. Aos 26 anos, é consultora funcional de uma empresa da área da implementação de sistemas da Microsoft. Está na capital desde 2021, não porque queira, mas porque a Guarda «não tem grande oferta» na sua área profissional, a gestão. «Nos últimos anos começou a ter algumas empresas, no Espaço Tecnológico, onde as pessoas trabalham remotamente, mas de resto o que há é muito mais virado para a Contabilidade. Há todo um outro mundo para explorar dentro da minha área e foi um bocado por isso que se deveu a minha saída da cidade”, justifica.
A antiga estudante da Secundária da Sé constata que o parque industrial e plataforma logística cresceram e realça sobretudo a evolução da Coficab, que diz ser o investimento mais marcante dos últimos anos na Guarda. «Emprega muito mais pessoas, continua a crescer e, pelo que sei, a Coficab até paga relativamente bem. É, sem dúvida, um motor de desenvolvimento da cidade e um exemplo a seguir por outras empresas», considera. No entanto, Isabel Saraiva considera faltarem alternativas para empregar e fixar os jovens, que diz serem as principais vítimas da falta de oferta de trabalho. «Quem acaba por ficar abre um negócio próprio, tem trabalho na empresa da família, vai para a Coficab ou para a função pública», constata.
A oferta de emprego não é, por isso, uma vantagem para a Guarda. Para Isabel Saraiva, o que destaca a cidade mais alta é a qualidade de vida: «O custo de vida é muito menor, é uma cidade mais calma e segura, não há tanta poluição. Além disso, é e continua a ser a minha casa», confessa. A jovem regressa «sempre que pode», ou, «pelo menos», uma vez por mês. «Tenho tudo aí, sempre que preciso de alguma coisa prefiro fazer na Guarda do que em Lisboa. Por exemplo, ir ao centro de saúde, a uma costureira ou ao cabeleireiro. Também faço na Guarda a maior parte das minhas compras porque os produtos, muitas vezes, são mais barato», declara. Isabel Saraiva diz mesmo que prefere «andar carregada até casa, em Lisboa, do que fazer lá essas compras».
Após cinco anos na capital, Isabel Saraiva mantém viva uma ligação afetiva com a Guarda, a que espera regressar um dia. «Profissionalmente, não é uma opção a curto/médio prazo, mas num longo prazo diria que sim. Nunca descarto essa opção».

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