P – Porque decidiu concorrer à presidência da Federação Distrital da Juventude Socialista da Guarda?
R – Foi uma decisão conjunta, não fui apenas eu. Felizmente, na minha vida, sempre me habituei a trabalhar em equipa e com pessoas, e a Juventude Socialista é isso mesmo. O meu projeto é com os militantes, com a força dos jovens na Guarda. Decidi concorrer quando senti que havia consenso distrital e que o meu nome era o mais unânime, mas na primeira hora ouvi os militantes e as suas preocupações – aquilo que realmente pretendem para estes dois anos.
P – Como está a JS do distrito da Guarda?
R – A JS está, felizmente, com um projeto muito bem conseguido ao longo destes quatro anos. O nosso presidente cessante, Miguel Will, fez um grande trabalho a nível de militância e de ativação de concelhias. Recuperámos secções inativas há algum tempo, aumentámos a militância noutras, criaram-se atividades e desenvolveu-se trabalho com os militantes de cada concelhia. Planearam-se atividades, eventos de relevo, como o “WinterFest”, que já envolve mais de 200 jovens a nível nacional. Esse trabalho já foi feito e, nos próximos dois anos, o desafio é mais ambicioso e a responsabilidade é ainda maior. Neste mandato não haverá eleições legislativas ou autárquicas, o que nos obriga a que as próprias concelhias e a Federação trabalhem mais arduamente com as secções locais e os militantes. Além disso, traz-nos o desafio de captar mais jovens para a JS e focar a militância na formação de novos quadros para que depois se possam desenvolver e avançar para o PS e, no futuro, encabeçarem listas e fazerem parte das listas nas próximas autárquicas. O foco vai ser sempre esse, formar militantes, capacitá-los para que conheçam todo o projeto e ideologia que defendemos e que, daqui a quatro anos, o PS tenha jovens capazes de desempenhar funções.
P – Foi candidato único nestas eleições, que outros objetivos tem para o mandato que agora iniciou?
R – Ser candidato único tem um peso e uma responsabilidade maior. Mas fiz questão de contactar as concelhias, os seus presidentes e vi as dificuldades, o que realmente pensavam e foi assim que decidi avançar: por ser um projeto agregador. Não sou a favor de eleições disputadas num partido político, ainda para mais nos nossos meios, onde somos poucos, porque isso deixa sempre sequelas que, muitas vezes, é a divisão do partido ou de uma estrutura, e na JS pretendemos unir e não o contrário. Esta candidatura é para nos unirmos, reforçarmos o trabalho em rede e termos todas as concelhias num projeto só. Para os próximos dois anos há várias ambições. O primeiro passo é a criação do Secretariado Distrital da Organização, que será dirigido por uma pessoa capacitada que será responsável pelo contacto direto com cada concelhia. Vai dar formação para que saibam como funciona toda a estrutura da JS, para apoiar na burocracia, para a convocação de novas eleições, fazer novas atividades. Miguel Will inaugurou a sede da JS Distrital da Guarda na sede do Partido Socialista, pelo que vamos ter um espaço para receber associações juvenis, jovens socialistas e não só – também pretendemos abrir a nossa sede à sociedade civil e principalmente aos jovens, para ouvir as suas preocupações e fazê-las chegar aos vereadores, autarcas e até à Assembleia da República. A nossa deputada pelo círculo da Guarda já reforçou que será uma ponte para expor as nossas ideias e sugestões para o distrito. De resto, há também desafios na educação, nomeadamente o aumento do número de vagas do ensino superior; na saúde, porque o nosso Governo não tem colaborado e apoiado o interior, entre outros assuntos estruturantes.
P – A 18 de janeiro realizam-se as eleições presidenciais, apoia António José Seguro?
R – Sim, como toda a Federação Distrital da Guarda e as concelhias. Este apoio unânime ao candidato socialista foi trabalhado ainda com o presidente cessante da JS. Todos nós conhecemos António José Seguro, já foi presidente de Federação do PS da Guarda e é muito ligado ao nosso distrito. A JS está a postos e a trabalhar para termos uma atividade com ele, porque realmente é sabedoria e, para nós, é bom ter alguém no nosso território que nos possa representar e ser Presidente da República. Qualquer pessoa do interior e, principalmente os jovens, que, muitas vezes, se sentem desligados e têm de rumar ao litoral ou emigrar para encontrar novas rotundidades. Há quem o apoie porque notam que é um homem que transmite humildade, que quer ajudar Portugal. Tem de haver mais apoio para o interior e ele é um defensor do interior, por isso mesmo o apoio é unânime. Acredito que, com essa vitória a 18 de janeiro, o interior vai ser reconhecido, porque temos muito potencial. Se continuarmos com estas medidas de direita, infelizmente, não vamos a lado nenhum.


