P – Fundada em 1925, a Santiago & C.ª, Lda é uma sociedade de cariz familiar que conta já com uma longa história de 100 anos de atividade. Qual a receita para esta longevidade?
R – Os nossos antepassados que mais tempo foram gerentes da empresa criaram uma amizade com os clientes em que o lema era “mais vale um bom nome do que muitas fortunas”. A empresa foi evoluindo e tornou-se uma das principais fornecedoras das muitas mercearias e drogarias que existiam em Trancoso e na região. Os clientes abasteciam-se aqui e pagavam quando tivessem oportunidade, ao fim de alguns meses e até meio ano. Era uma forma de terem fundo de maneio para conseguirem manter os negócios nos primeiros tempos. Temos hoje clientes que só nos compram a nós. Por isso, digo que o segredo para esta longevidade foi e continua a ser a honestidade, seriedade e amizade para com os nossos clientes.
P – Para se manter uma empresa dentro da própria família, durante um século, também tem que existir muita cumplicidade entre os familiares, ao logo das várias gerações?
R – É uma verdade. Dou como o exemplo o meu pai, que é também gerente da empresa. Sempre primou pela união da família e nunca deixou que houvesse grandes zangas. Foi muito bom para gerir alguns conflitos que, obviamente, sempre existem em qualquer família. Lembro-me que desde sempre, por altura do Natal, todos os familiares se juntavam para conviverem. Foi um pilar importante para esta cumplicidade e amizade. Naturalmente que isso teve reflexos positivos na vida da empresa.
P – Como foram enfrentados os obstáculos e desafios ao nível da economia, da concorrência e das realidades do próprio concelho de Trancoso e da região?
R – Até ao início dos anos 2000 foi sempre a crescer em termos de faturação. Depois, com a crise de 2008, quando eu entrei para a empresa, direcionámos muito a nossa atividade na exportação para Espanha, França, Angola e outros países, nomeadamente em produtos como o ferro, cimento e outros materiais de construção. Neste setor, chegámos aos 6,7 milhões de euros de faturação e mais um milhão nos transportes. Vamos tentando dar a volta às situações menos boas que a economia nos vem oferendo com ciclos melhores e piores.
P – Como surgiu a parceria com a Bigmat e qual o objetivo?
R – Depois de uma crise é sempre difícil reerguer qualquer negócio sozinhos. No nosso caso, não sendo uma grande empresa multinacional, é ainda mais complicado. Por isso, não tendo um departamento comercial e de marketing, vimos na Bigmat uma oportunidade para colmatar esse obstáculo. Sendo a Bigmat uma estrutura com dezenas de pessoas nessa área, é uma grande ajuda, uma grande alavanca para continuarmos a ter uma estrutura sólida financeiramente. Na última década conseguimos dez prémios “PME Líder” e dois “PME Excelência”, que significam que temos uma boa estrutura em termos financeiros.
P – O comércio de materiais de construção é a principal atividade da empresa. Trata-se de um setor que tem tido altos e baixos. Qual é o cenário atual?
R – Como estamos em Trancoso, onde não há muitas obras, temos de procurar outros concelhos como a Guarda, Viseu, Castelo Branco, Covilhã, etc. Tenho conseguido outros clientes desses municípios, fruto daquilo que aprendi no passado. Sabemos que a construção abrandou ao nível de preços, principalmente nas obras particulares, já nas obras públicas, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) veio dar um grande impulso e dinamismo, ainda que tenhamos que estar muito focados e atentos no mercado porque a concorrência com as grandes empresas é muito forte.
P – E o futuro da Santiago & C.ª, Lda?
R – Neste momento temos um slogan que é “Não espere mais 100 anos para nos conhecer”. Ou seja, é um convite a quem ainda não é cliente da nossa empresa. A quem já nos conhece, a nossa mensagem é que prometemos continuar com a mesma seriedade, amizade e qualidade nos produtos e serviços e, acima de tudo, especial atenção ao cliente.
CARA A CARA – António Santiago, gerente da Santiago & C.ª, Lda. (Trancoso)


