P – No dia 13 de novembro vai ser apresentada a obra que pretende reunir o que foi a saúde na Guarda antes e depois do 25 de Abril, num compilado organizado pelo médico José Valbom.
R – Eu sou o coordenador da obra, mas é uma obra coletiva onde ninguém tem um papel mais importante do que os outros. Colaboram 39 pessoas que trabalham ou trabalharam na ULS, por isso é uma obra que nasce dos profissionais de saúde de todas as áreas, de várias especialidades e várias gerações. Temos uma entrevista a um amigo meu que faleceu com 99 anos, o Doutor Santana, e temos contributos de gente muito nova das equipas de Cuidados Domiciliários, da Hospitalização Domiciliária, transversal a todas as especialidades, profissões e épocas. A saúde na Guarda é importante, como é noutros sítios, mas nós temos uma certa especificidade porque antes do 25 de Abril tivemos uma estrutura de saúde de primeiro nível: o Hospital Sousa Martins, que nos cumpre honrar e dignificar. Grande parte desta obra também são assuntos ligados ao Sanatório Sousa Martins, com um texto do historiador Hélder Sequeira, e temos, por exemplo, um texto da escritora Maria João Lopo de Carvalho que fala do seu bisavô, Lopo de Carvalho. Temos vários contributos que falam no Sousa Martins e no Sanatório.
P – Como surgiu a ideia de fazer este livro?
R – Este livro é um desafio que surge no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Começámos a compilar contributos e os contributos começaram a vir e alguns muito bons. Penso que são todos excelentes. Este livro é uma homenagem à saúde na Guarda e a todos os profissionais de saúde, de todas as áreas políticas. A saúde é uma coisa que nos une muito mais do que divide.
P – Houve um tempo que a Guarda usava o epíteto de “Cidade da Saúde”. Hoje utiliza-se menos, perdemos qualidade da saúde, perdemos serviços de saúde? O que é que mudou?
R – Mudou porque nós tínhamos condições naturais para lutar contra a tuberculose. Éramos uma cidade de altitude, uma cidade que se adaptou bem à técnica, recebemos bem os atores da saúde. Temos que agradecer, obviamente, à Rainha D. Amélia e ao Sousa Martins, que se lembraram de pôr o Sanatório aqui. Entretanto, essa doença, felizmente, foi caindo em declínio e depois veio o 25 de Abril e começámos a ter os problemas das cidades que têm pouca dimensão demográfica. Nós temos que ter serviços de saúde e temos que os preservar e, dentro do possível, melhorar. Neste grande Parque da Saúde, que é uma coisa rara, se calhar única em todo o país, temos condições excecionais para ter um complexo de saúde de altíssima qualidade, preservando os edifícios que temos, requalificando e mantendo esta área nobre da cidade, que é um espaço fabuloso desde que bem cuidado. Mas temos pouca gente e estamos distantes. Aí é que entra o desafio. Eu penso que o Governo central devia olhar para as zonas do interior numa filosofia de coesão do território.
P – Que pessoas é que participam nesta obra? Quantos autores dão os seus testemunhos ou as suas reflexões?
R – Temos o contributo de 39 profissionais de saúde e o prefácio do professor Adalberto Campos Fernandes, que é o responsável por elaborar o Plano Estratégico da Saúde por incumbência do Presidente da República. No fundo, são 40 pessoas relacionados com a saúde.
P – O livro vai ser apresentado por Adalberto Campos Fernandes, antigo ministro da Saúde e representante estratégico para esta área…
R – Vem apresentar o livro “A Saúde na Guarda – Antes e Depois de Abril”, numa sessão que vai ter lugar na Sala António de Almeida Santos, na Câmara Municipal da Guarda, no dia 13, pelas 17 horas. Vamos fazer uma homenagem à saúde, aos seus profissionais e às estruturas de saúde. A saúde é vista e acarinhada por todos, de tal maneira, que muita gente aceitou a participar de uma forma graciosa nesta obra.
P – A obra “A Saúde na Guarda – Antes e Depois de Abril” envolve toda a história contemporânea da saúde na Guarda?
R –Não é uma obra completa. Fomos solicitando contributos, incentivando a contributos, mas temos a certeza que algumas áreas vão ficar descobertas. Por variados motivos, nem toda a gente colaborou, pelo que tenho esperança que, mais tarde, alguém fique incentivado a fazer um volume 2 sobre o que ficou por dizer aqui, fazendo mais obra de reflexão estratégica.
PERFIL:
Coordenador da obra “A Saúde na Guarda – Antes e Depois de Abril”
Nome: José Valbom
Idade: 65 anos
Naturalidade: Lamegal, Pinhel
Currículo (resumido): licenciado em medicina desde 1986 com especialidade em Saúde Pública e Medicina do Trabalho
Livro Preferido: Lusíadas, Camões
Filme Preferido: Casablanca, Michael Curtiz
Hobbies: Ler biografias e romances históricos



