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«Vamos construir um roteiro de arte urbana, capaz de estimular visitas à Covilhã»

Cara a Cara – Lara Seixo Rodrigues

P – Como surgiu a ideia de organizarem o WOOL – Festival de Arte Urbana da Covilhã?

R – O WOOL é o resultado direto da associação de duas grandes paixões.

A primeira delas a Covilhã, uma paixão intrínseca à qual não podemos fugir e a qual nunca tentámos ocultar. A segunda, e quase com a mesma validade temporal, é a nossa paixão pelo graffiti, pela arte urbana e tudo o que envolve este meio. Foi sempre por prazer que caminhámos quilómetros para apreciar as peças que “artistas” tinham deixado ao nosso alcance. Observando a evolução do graffiti e da arte urbana ao longo dos últimos anos, o aparecimento dos inúmeros eventos e festivais em diversas cidades do mundo, e o percurso, sempre em crescendo, dos artistas portugueses, há cerca de um ano, começámos a magicar que um festival de arte urbana na Covilhã seria a forma ideal de juntar estas nossas paixões. Foi o nosso modo de homenagear o importante passado histórico e infelizmente muito esquecido desta cidade do Interior, servindo-nos do inúmero património que sobrou desse passado, perfeito para acolher as intervenções dos artistas, uma junção perfeita para este tipo de acontecimento.

P – Qual é o objetivo que pretendem atingir?

R – O WOOL pretende aproximar a arte contemporânea, em geral, e a arte urbana, em particular, desta região do país, corrigindo assimetrias regionais no acesso à cultura. Pretende, especialmente, despertar o interesse da população pelas artes plásticas e proporcionar um contacto direto entre esta e os artistas, porque acreditamos que as artes, nas suas mais variadas vertentes, contribuem para melhorar a qualidade de vida da população, aumentando o seu raciocínio crítico e formar uma sociedade mais consciente e cívica.

De forma singular, propomos renovar a estética da cidade através das intervenções dos artistas.

P – Quais são os pontos da cidade da Covilhã que vão ser intervencionados?

R – As intervenções terão lugar maioritariamente no centro histórico da cidade da Covilhã e no património arquitetónico industrial que existe em inúmeros pontos da cidade, onde se observa uma maior degradação e simultaneamente uma infinita base de trabalho.

P – Esperam cativar a população em geral para este tipo de arte?

R – O formato desenhado para esta primeira edição pretende assegurar esta proximidade com a população. Cada um dos quatro eventos inclui a criação de uma peça numa parede da cidade, processo que poderá ser sempre acompanhado ao vivo pelo público. Para além da intervenção, os artistas irão realizar uma atividade paralela (workshop ou conversa) promovendo um contacto mais direto entre os artistas e os cidadãos. Particularmente, o quarto evento do WOOL pretende recordar e elogiar o passado da nossa cidade e cremos que este aspeto não irá passar despercebido à população.

P – Os quatro artistas urbanos de renome internacional dão garantias de qualidade?

R – Muitas! Todos eles, com especial destaque para Vhils, têm um vastíssimo currículo de participação nos maiores e melhores festivais pelo mundo fora. Precisamente por isso foram convidados a integrar esta primeira edição do WOOL, pelas garantias de excelente trabalho e visibilidade que pretendemos para este projeto.

P – Em que vai consistir a construção de um roteiro de arte urbana na cidade? É para avançar quando?

R – Poderemos dizer que este roteiro se começará a construir a partir de hoje [29 de setembro] com o arranque do WOOL. Existem já algumas peças escondidas pela cidade, mas com o começo do WOOL e pelo interesse e aceitação que temos constatado por parte do público em geral e em particular pelos artistas, o número de peças e intervenções aumentará, o que nos permitirá ir construindo um roteiro de arte urbana, capaz de estimular visitas à Covilhã. Estamos já a trabalhar em novas iniciativas para fomentar esta ideia, mas para já estão no “segredo dos deuses”.

«Vamos construir um roteiro de arte urbana,
        capaz de estimular visitas à Covilhã»

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