Talvez que o acontecimento mais importante a nível regional, como no resto do país, sejam as eleições autárquicas e a renovação ou confirmação dos atuais eleitos. Não se espere muito mais por aqui, no atual quadro internacional, nacional e regional.
1. A nível internacional há sombras no caminho da globalização. A eleição de Trump nos Estados Unidos e o seu discurso de volta aos tempos de protecionismo deu para este absurdo de se ouvir, em Davos, o presidente da China como grande defensor da liberalização das trocas comerciais e do desarmamento aduaneiro. Mao Tse Tung deu certamente voltas no túmulo do
Estado comunista que legou. Já Den Xiaoping terá sorrido, pelo fruto das sementes lançadas em Zhuhai…
2. A Europa, que Portugal integra como espaço geoestratégico, não sai da cepa torta.
Em primeiro lugar, assumindo que a zona Euro – para subsistir tal como a conhecemos – tem que ser reformada de alto a baixo, por causa dos “choques assimétricos” entre países com diferentes níveis de desenvolvimento. Missão impossível na atual pequenez de pensamento prospetivo.
Não tendo politicamente a União Europeia sido capaz de criar um conjunto de mecanismos destinado a contrabalançar estes “choques assimétricos”, (com soluções de compensação tal como existem nalguns Estados Federais), também não teve a coragem de levar por diante a excecionalização de incentivos ao desenvolvimento, através da criação de zonas de liberalização
fiscal para atração de investimento.
E, por via dessas medidas, contrabalançar com investimento privado a incapacidade de crescer e aumentar a riqueza e coleta de impostos. A própria chanceller Merkel chegou a sugerir esta medida na decorrência da crise de 2008, mas os governos nacionais de Portugal, Espanha e Grécia não souberam aproveitar a abertura. (Veja-se por onde começou o crescimento da China, criando a “Zona Económica Especial de Zhuhai” e conclua-se que nem copiar sabemos…).
3. Por cá, em 2017, com o cumprimento do défice imposto por Bruxelas e a saída do “Procedimento por Défice Excessivo”, o Governo vai ter de repetir os cortes cegos à Administração Pública com a qual “brilhou” este ano como “bom aluno”. Mas se continuar a cortar, não vai chegar o investimento privado para irmos além do crescimento de um ponto qualquer coisa do PIB: isto é, não haverá crescimento líquido de emprego. O que significará que mais portugueses continuarão a sair do país e desta região.
4. Que se espera afinal, quando o líder do Governo se converteu aos êxitos da conjuntura (o défice) que desvalorizava na oposição, esquecendo o desenvolvimento global do país como prioridade das prioridades; e quando o líder da oposição, que há dias veio à Covilhã, e se “esqueceu” onde estava, não tendo uma palavra sobre desenvolvimento regional?
Fica a Missão para o Interior criada pelo Governo. Mas alguém pode acreditar em missões que, logo à partida, ignoram o ponto essencial de que depende o nosso desenvolvimento, ou seja a ausência de capital nacional para investir? E que a partir daqui nem uma só medida credível apresenta para captar maciçamente investimento estrangeiro, atento o que supra se refere?
Expectativas na região? É natural que os bons ares se mantenham, a nossa tranquilidade de vida, a segurança pública e coisas assim. Crescimento, desenvolvimento? Talvez algum episódio no poder municipal nos surpreenda, se algumas lesmas autárquicas forem democraticamente à vida.
Carlos Pinto
Ex-presidente da Câmara da Covilhã



