A delegação regional de Castelo Branco do Instituto Português do Património Arqueológico (IPPAR) vai propor à tutela a inscrição no Património Artístico Nacional de três obras do Museu de Arte Sacra de Alvoco da Serra, no concelho de Seia. Trata-se das esculturas de Nª Srª do Rosário (séc. XV) e do Espírito Santo (séc. XVI), bem como do retábulo da Capela de S. Pedro (séc. XV), adiantou a “O Interior” o dinamizador e coordenador daquele espaço.
A intenção foi comunicada na passada quinta-feira, após a visita de uma comitiva do IPPAR, liderada por José Afonso, ao primeiro museu de arte sacra do distrito da Guarda. Desde finais de 2004 que Alvoco da Serra tem expostas obras muito raras do período renascentista da Escola de Coimbra e de João de Ruão, entre muitas outras. Em destaque está o magistral sacrário esculpido por João de Ruão (séc. XVI). O grande “ex-libris” do museu mede cerca de 1,70 metros e integrava o retábulo da primitiva igreja de Alvoco, cujos componentes estavam dispersos por vários lugares da aldeia. Mas há mais motivos de visita, como as esculturas de Nossa Senhora do Rosário (séc. XV), padroeira da freguesia, atribuída à oficina de João Afonso, um dos grandes mestres da Escola de Coimbra, de S. Pedro, Santa Engrácia e de Santo António, todas em pedra de Ançã. Ou uma outra escultura da Renascença, representando o Espírito Santo (séc. XVI), também da Escola de Coimbra, entre outras peças dignas de registo. Este património valiosíssimo foi reunido por Fernando Moura, docente universitário aposentado há 13 anos, natural de Alvoco, que continua deslumbrado com aquilo que considera um «milagre».
Não é a primeira vez que o espólio religioso de Alvoco da Serra impressiona os especialistas. Em 2002, Dalila Rodrigues, actual directora do Museu de Arte Antiga, em Lisboa, esteve na aldeia para verificar a qualidade das obras. A ex-responsável pelo Museu Grão Vasco de Viseu veio a pedido do presidente do Instituto Português de Museus, a quem Fernando Moura enviou um dossier sobre o projecto, e validou o que viu. De acordo com o promotor, a presença de património tão valioso numa aldeia recôndita da Serra da Estrela fica a dever-se, alegadamente, ao facto de Alvoco ter sido uma comenda dos Condes de Redondo, um dos quais terá sido um grande protector das artes. «É um legado que recebemos gratuitamente, pelo que a menor das nossas obrigações é transmiti-lo às novas gerações», explica Fernando Moura.



