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Soa alerta nas minas da Panasqueira

Concessionária admite que laboração está em risco devido à redução da produção e à baixa cotação do tungsténio nos mercados internacionais. Câmara da Covilhã já pediu reuniões ao Governo para evitar que «o pior cenário» se concretize.

A baixa cotação do tungsténio nos mercados internacionais e a redução do teor do minério extraído nas minas da Panasqueira, devido às condições geológicas da exploração, está a colocar em risco «a viabilidade e continuidade, no curto prazo», da laboração no complexo do concelho da Covilhã se a situação não se alterar.

O aviso foi deixado pela administração da Sojitz Beralt Tin & Wolfram Portugal numa reunião com o vice-presidente da Câmara da Covilhã na passada quinta-feira, na Barroca Grande. Neste encontro participaram ainda os presidentes de Junta de São Jorge da Beira, José Branco, e de Aldeia de São Francisco de Assis, Joana Campos. No final, Carlos Martins – que representou Vítor Pereira ausente no estrangeiro – adiantou em comunicado que a concessionária das minas confirmou que a empresa está a atravessar «diversas dificuldades» por causa da «cotação anormalmente baixa» do tungsténio nos mercados internacionais e da redução do teor do minério extraído na Panasqueira. «Estas situações colocam em sério risco a viabilidade e continuidade, no curto prazo, da exploração mineira e as centenas de postos de trabalho diretos e muitos outros indiretos que atualmente dependem das minas», alertou o vice-presidente do município covilhanense.

Confrontada com este cenário, a autarquia solicitou de imediato, e com caráter de urgência, reuniões com o primeiro-ministro, o ministro da Economia António Pires de Lima e o ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva. O objetivo é «unir esforços» com a administração da Sojitz Beralt Tin & Wolfram Portugal para «a construção de uma solução que assegure que o pior cenário não se concretiza» e garanta a continuidade da exploração da mina da Panasqueira e a salvaguarda dos cerca de 370 postos de trabalho. O município quer também reunir com os grupos parlamentares da Assembleia da República e com o Sindicato da Indústria Mineira. Em 2013, a concessionária da Panasqueira exportou mais de 20 milhões de euros, sendo uma das maiores exportadoras da região.

«Como facilmente se compreende, qualquer alteração substancial na atividade das minas representará um rombo inimaginável e de consequências catastróficas para toda a economia da região e também para o país», sublinha a Câmara da Covilhã. De resto, na região ainda está bem presente o ano de 1994, quando a laboração esteve suspensa durante dez meses. O caso também está a preocupar o presidente do município do Fundão. Na segunda-feira, Paulo Fernandes disse que a autarquia está «naturalmente disponível» para unir esforços com os concelhos que seriam mais diretamente afetados com a eventual suspensão da laboração nas minas, «um problema gravíssimo e que pode ter consequências brutais». Para o edil, é preciso que «nos unamos numa agenda comum que contribua para encontrar uma solução» para ajudar a superar as dificuldades nas Minas da Panasqueira.

Luis Martins Atualmente trabalham neste complexo mineiro centenário cerca de 370 pessoas

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