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Romances revividos na Castanheira

7º Festival de Cultura Tradicional decorre este fim-de-semana

A edição deste ano do Festival de Cultura Tradicional da Castanheira, que decorre este fim-de-semana, é dedicada aos romances, à semelhança dos anos anteriores. Uma arte de outros tempos, e com grande tradição na aldeia, evocada através de vários concertos de música tradicional. Durante dois dias, a Associação da Juventude Activa da Castanheira, entidade organizadora, pretende manter viva uma tradição “em vias de extinção”. O objectivo é divulgá-los e acarinhá-los para que se mantenham vivos na memória colectiva e possam continuar a passar de geração em geração.

«No sábado destaca-se a música tradicional e no domingo ouvem-se outras sonoridades», sublinha Víctor Gonçalves, vice-presidente da Juventude Activa da Castanheira. No ano passado, «convidámos o Vitorino por cantar “romance”», justifica o vice-presidente, mas «já sabíamos que podíamos correr o risco de criar grandes expectativas para as futuras edições», acrescenta. No entanto, «a linha programática e a qualidade mantêm-se», assegura Víctor Gonçalves, apesar desta edição ser «mais curta, por falta de financiamento», constata. O orçamento para o Festival deste ano ronda os 22 mil euros, sendo que 9 mil são sustentados pela autarquia da Guarda, mil pela Junta de Freguesia local e o restante pela Associação. «Cada vez é maior a fatia que suportamos», queixa-se.

Sábado é dia da já tradicional caminhada que todos os anos marca o Festival da Castanheira, com partida às 8h30. Depois da descoberta dos trilhos naturais da aldeia, a noite será de música. Primeiro, com a actuação das “Moçoilas”, às 22 horas, que vão apresentar o seu mais recente CD “Qu’é que tens a ver com isso” onde refinam toda a sua experiência e natural evolução. Quatro vozes femininas vão interpretar músicas tradicionais do Algarve, com incursões ao Alentejo e à raia de Espanha. O ponto alto da noite acontece com a estreia do “Quatro ao sul”, pelas 23h15. José Barros (José Barros e Navegante), Rui Vaz e José Manuel David (Gaiteiros de Lisboa) e Pedro Mestre (tocador e construtor de violas campaniças), dão corpo a este novo grupo que tem como base inicial o Cante Sul, diferenciando-se por um novo reportório que vai mais além do canto e das modas do Alentejo com incorporação de temas populares e tradicionais do Mediterrâneo Europeu. “Quatro ao sul” irá recriar os ambientes das modas alentejanas acompanhadas pelas violas campaniças e usando técnicas originais. Já, no domingo, pelas 18 horas, o Grupo de Bombos “Os Beirões” de Maçaínhas espalham música e animação pelas ruas da aldeia. Mais tarde, os Chuchurumel estreiam um novo espectáculo: Tapete Voador. Com este grupo da região, a música tradicional portuguesa deixa-se influenciar por elementos contemporâneos que nos tocam, tanto quanto as nossas raízes musicais mais profundas. No Tapete Voador cruza-se a tradição musical popular com o processamento digital do som, com programações e com a música electrónica. O festival termina com “At-Tambur”, que apresentam um espectáculo inspirado nas tradições portuguesas e nas de outras paragens, deixando-se influenciar pelo gosto da música antiga, da clássica ou do jazz. O grupo junta violino, bateria, sanfona, guitarra acústica, flautas doces, contrabaixo, voz e concertina para a criação destes imaginários reais, alguns originais e outros de recolha. Os concertos realizam-se no Largo do Outão e têm entrada livre.

Não deixar morrer as tradições e identidades de região tem sido, de resto, o mote deste Festival ao longo dos últimos anos. À semelhança dos anos anteriores, são esperados muitos visitantes na Castanheira, a pesar de «ser difícil alcançar o mesmo número do ano passado, mas esperamos ter a “casa” composta», prevê Víctor Gonçalves. A Castanheira ainda mantém uma tradição na execução de romances, por isso «é urgente divulgá-los e acarinhá-los para que se mantenham vivos na memória colectiva e possam continuar a passar de geração em geração», conclui.

Patrícia Correia

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