Depois de 29 de Junho de 2006, data em que foi apresentado publicamente o Plano Estratégico designado de PETUR, um Plano com algumas ideias estratégicas para a Serra da Estrela, prometi a mim mesmo que não falaria mais do assunto durante uns meses. Mas a imprecisão de algumas notícias e o amável convite do jornal “O Interior”, fez-me quebrar a promessa.
Não vou adiantar nada de relevante, mas apenas explicar como é que um mesmo documento e uma mesma apresentação puderam ser tão diferentemente comentados por diferentes órgãos de comunicação social e pessoas individualmente.
Uns falam no “Fracasso”, “que os autarcas não prestam”,”está dado um pontapé de saída” e até “foi pena que não tivesse sido uma empresa internacional a fazer o estudo”.
Obviamente que cada um pode fazer a leitura que mais lhe convier, sobretudo a que mais convier às pessoas de quem é fã, amigo ou defende (ou será depende?).
Os organismos administrativos regionais e nacionais apreciaram e afirmaram-me que, finalmente, existe um documento escrito e público, que permite o “quem quiser o aproveite”. Alguns autarcas, que esperariam que o documento contivesse medidas precisas de apoio a determinados investimentos que têm em carteira, acham-no apenas mais um documento que não traz nada de novo. Outros ainda, autarcas e investidores, acham que ele contém desafios importantes que obrigam a uma reflexão séria e pouco tradicional a que se não estava habituado. Por mim, gosto que nem todos tenham gostado. Mas o sumo do Projecto está resumido nos seguintes aspectos:
1. A Serra da Estrela, nomeadamente na área definida para o seu Parque Natural, é o principal recurso que se deve preservar e explorar de forma moderna e sustentada;
2. A Qualidade de tudo o que se faça no território envolvente, incluindo as pessoas, é a única forma de garantir que a SE possa constituir um pólo de atracção turística nacional e internacional e que alguma vez possa contribuir para a melhoria da vida dos (ainda) residentes na região;
3. Deixar a organização das actividades do turismo à iniciativa pública é um erro crasso, pois não serão elas as entidades capazes de dinamizarem o tipo de serviços que caracterizam o turismo moderno; o mesmo será dizer que, deixar tudo entregue às actuais estruturas existentes, será deixar correr as coisas como nos últimos 50 anos;
4. São necessárias acções exemplares que credibilizem externamente a ideia de que existe uma região (pessoas e agentes económicos) com vontade própria de ser um destino turístico de excelência, capaz de atrair turistas e estimular investidores qualificados.
Tudo o resto são cantigas.
Ninguém se atirou a ninguém, nem responsabilizou ninguém pelo atraso do sector e muito menos disse que o que se apresentava era uma coisa muito nova, que nunca se tinha visto, inovadora, espectacular, genial, obra de cabeças iluminadas.
O que é verdadeiramente difícil, em desenvolvimento, é fazer as coisas simples, bem feitas, com qualidade e duradouramente. Mas não será essa a vontade de grande parte de pessoas que julgam que fazer qualquer coisa, é fazer uma coisa tão extraordinária que nunca ninguém viu e….que, serão eles os primeiros (já agora, continuamos a aguardar as medidas, os milhões e a vinda de novos investidores há mais de X anos anunciadas para fazer de conta que as coisas estão a andar e se deve acreditar neles).
Felizmente já há muita gente que sabe que esta é uma visão provinciana, infelizmente que ainda perdura mas que faz perder a paciência a muitos que, preocupados com o futuro de seus filhos, tendo viajado e apreciado coisas belas, sabem que….basta preservar o que se tem, qualificar as pessoas que não estavam habituadas a trabalhar no atendimento e acolhimento de outros de diversas nacionalidades e darem o melhor que os beirões podem dar: a sua intrínseca, natural e espontânea hospitalidade.
É isso que os turistas querem e são eles que nos farão a promoção, boca a boca, criando uma teia infindável de gente que procurará o território pela simplicidade, beleza, limpeza, acolhimento, simpatia, qualidade dos produtos oferecidos, etc.
Acredite quem quiser, pois não me compete a mim, nem à equipa, ser profetas; tão só nos limitamos a falar com quem viaja e identificar o que eles mais apreciam nesta e noutras regiões que visitaram.
A Universidade fez o seu papel e pode fazer mais, para os interessados, nomeadamente:
a) Organizar um Seminário Científico para definir com rigor o significado de Preservação, Recuperação e Valorização de património natural, ambiental, histórico-cultural e social da SE, em colaboração com o PNSE.
b) Está disposta a colocar o seu know-how para a Criação de um Portal integrado de informação disponível on-line, garantindo que a totalidade da informação SE esteja associada às palavras-chave de busca habitual de um turista (p.e. ao digitar qualquer uma das palavras de busca de tipo como sejam: serra, neve, paisagem, natureza, beleza, calor, frio, alojamento, fim de ano, férias, hotéis, campismo, passeios, água, TER, turismo, viagem, comer, felicidade, alegria, animação, fotografia, etc. etc., deve garantir-se que apareça sempre o portal da Serra de Estrela);
c) Colaborar na Elaboração de um Plano global de recuperação do património destinado a uma aldeia de montanha a seleccionar de entre as várias da cordilheira da Serra;
d) Garantir o funcionamento em rede, com outras instituições, de um Laboratório Regional para o Turismo SE;
e) Dar todo o apoio técnico e científico ao PNSE para a verdadeira promoção do turismo de natureza, apoiando acções de formação em contexto concreto.
A roda não vai parar e os interesses instalados um dia irão quebrar.
Por: Pedro Guedes de Carvalho



